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9/29/2018

Mateus Solano é o novo defensor da campanha Mares Limpos da ONU Meio Ambiente



O ator Mateus Solano é o mais novo defensor da campanha Mares Limpos, uma iniciativa da ONU Meio Ambiente. Foto: Sérgio Baia
O ator Mateus Solano é o mais novo defensor da campanha Mares Limpos, uma iniciativa da ONU Meio Ambiente. Foto: Sérgio Baia
O ator Mateus Solano é o mais novo Defensor da Mares Limpos, campanha de defesa dos oceanos da ONU Meio Ambiente. Mateus é ambientalista e criou o grupo Mudar para Preservar, que promove ações de limpeza de praia e conta com a participação de artistas e ativistas engajados na questão socioambiental. O anúncio acontecerá amanhã (28), durante a coletiva de imprensa chamada pela Família Schurmann para anunciar a Conexão Schurmann #Mares Limpos, durante as comemorações dos 30 anos da Regata Recife-Noronha (REFENO).
"Que grande honra ser Defensor Mares Limpos! Espero poder contribuir para a luta pelo respeito aos oceanos, berçário de toda a vida", disse Mateus Solano sobre o convite realizado pela ONU Meio Ambiente. Consagrado como um dos maiores atores brasileiros por vários trabalhos na TV, teatro e cinema, Mateus é brasiliense, mas vive no Rio de Janeiro, onde se depara com o lixo nas praias com frequência. Casado e pai de dois filhos, leva a família para participar de ações de limpeza em praias, lagos e rios, reforçando a importância da ação individual para mudar o triste cenário da poluição plástica.
Conectado com a questão ambiental, o Defensor Mateus Solano usa suas redes sociais para compartilhar informações e experiências sobre como reduzir nossa pegada ecológica. O grupo Mudar para Preservar, do qual fazem parte a também Defensora Mares Limpos Fe Cortez e o ator Sergio Marone, organiza ações e apoia iniciativas que ajudam a disseminar o consumo consciente e o cuidado com a natureza. Em 2018, Mateus inaugurou a loja Muda, no Rio, onde vende produtos sustentáveis, como roupas, acessórios e brinquedos.
Mateus une-se a um grupo extraordinário de personalidades que defendem os mares da poluição plástica. Ele será o quarto Defensor Mares Limpos, ao lado de Fe Cortez, Martine Grael e Kahena Kunze, e da Família Schurmann. O novo Defensor foi convidado pelos Schurmann, velejadores mundialmente reconhecidos, a participar da programação especial da Conexão Schurmann #MaresLimpos, inserida na regata Recife a Fernando de Noronha, a REFENO. Entre 29 de setembro e 4 de outubro, o veleiro Kat terá, além da Família, uma tripulação de personalidades que inclui Felipe Solari, Foquinha, Jefferson Schroeder e Marina Person.
A participação do Kat na REFENO tem o objetivo de lembrar aos velejadores e à audiência da regata a importância do oceano e de reduzirmos o volume de plástico que chega até lá. "Em nossas viagens pelos oceanos, temos testemunhado um aumento exponencial do lixo plástico, tanto em alto mar quanto nas praias mais isoladas que visitamos. Cabe a cada um de nós atuar ativamente para mudar esse triste cenário. E é por isso que estamos fazendo do nosso veleiro Kat uma plataforma para debate e divulgação desse tema, levando esse conhecimento às pessoas para que passem a agir diferente em seu dia a dia", diz o capitão Vilfredo Schurmann. A viagem dos Schurmann e seus convidados até Noronha será compartilhada nas redes sociais dos Defensores, com milhares de seguidores, e dos convidados a bordo.
A convite da Família Schurmann, a gerente de campanhas da ONU Meio Ambiente, Fernanda Daltro, realizará uma palestra para os comandantes e demais envolvidos na REFENO no dia 28, no Cabanga Iate Clube de Pernambuco, ao lado de Vilfredo Schurmann. "Por estarem sempre em contato com os mares, os velejadores assistem ao aumento da poluição plástica em primeira mão. É muito importante essa troca de informações entre os dados estatísticos levantados por organizações como a nossa e o testemunho pessoal de quem está observando diretamente o impacto das atividades humanas no ecossistema marinho", coloca Fernanda.
A coletiva de imprensa sobre a Conexão Schurmann #MaresLimpos e o anúncio de Mateus Solano como Defensor da campanha acontecerá antes da palestra no dia 28, no mesmo Cabanga Iate Clube de Pernambuco.
Serviço
O que: Lançamento Conexão Schurmann #Mares Limpos e Anúncio do Defensor Mateus Solano
Onde: Cabanga Iate Clube de Pernambuco
Programação:

10h – Reunião com os comandantes e breve apresentação sobre a campanha #MaresLimpos
11h – Coletiva de imprensa a bordo do veleiro Kat, ancorado no Cabanga
Sobre a ONU Meio Ambiente
A ONU Meio Ambiente é a principal voz global sobre o meio ambiente. Oferece liderança e incentiva a parceria em cuidar do meio ambiente, inspirando, informando e capacitando nações e povos a melhorar sua qualidade de vida sem comprometer a das gerações futuras. A ONU Meio Ambiente trabalha com os governos, o setor privado, a sociedade civil e com outras entidades das Nações Unidas e organizações internacionais em todo o mundo.
Sobre a campanha Clean Seas (Mares Limpos, no Brasil)
Lançada em 2017, a campanha #CleanSeas, da ONU Meio Ambiente, exorta os governos a aprovarem políticas de redução de plástico, a indústria a minimizar as embalagens plásticas e redesenhar produtos e convida os consumidores a mudarem seus hábitos de descarte antes que danos irreversíveis aconteçam aos nossos mares. No Brasil, a campanha chama-se #MaresLimpos e adapta os esforços globais ao contexto brasileiro, apoiando a elaboração do Plano de Ação Nacional para Combate ao Lixo no Mar.
Para mais informações sobre a campanha da ONU Meio Ambiente Mares Limpos, visite: cleanseas.org
Para acompanhar a viagem dos Schurmann e seus convidados até Noronha visite @schurmanns no Twitter, @familiaschurmann no Facebook e @familiaschurmann no Instagram.
Para discutir as possibilidades de cobertura e mais informações, por favor, contate:
Roberta Zandonai, imprensa ONU Meio Ambiente, roberta.zandonai@un.org, 61 3038-9231
Fernanda Daltro, gerente de campanhas ONU Meio Ambiente, fernanda.daltro@un.org, 61 3038-9241
Alexandre Moreno, gerente de comunicação Família Schurmann, alexandre.moreno@advicecc.com, 11 98374-4664
Natasha Stein, assessora de comunicação Mateus Solano, natasha@natashastein.com.br, 21 96969-0111



Fonte: ONU Brasil

2/22/2018

Na Jamaica, FAO realiza conferência regional para definir prioridades no combate à má nutrição

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) anunciou nesta segunda-feira (19) que realizará sua 35ª Conferência Regional para a América Latina e o Caribe em Montego Bay, Jamaica, de 5 a 8 de março de 2018.
Encontro, que é a mais alta instância decisória da FAO a nível regional, reunirá representantes dos 33 países-membros da agência da ONU na região e definirá prioridades para o trabalho do organismo ao longo dos próximos dois anos.
Na América Latina e Caribe, existem 16,5 milhões de fazendas de agricultura familiar. Foto: FAO
Na América Latina e Caribe, existem 16,5 milhões de fazendas de agricultura familiar. Foto: FAO






A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) anunciou nesta segunda-feira (19) que realizará sua 35ª Conferência Regional para a América Latina e o Caribe em Montego Bay, Jamaica, de 5 a 8 de março de 2018.
Encontro reunirá representantes dos 33 países-membros da agência da ONU na região e definirá prioridades para o trabalho do organismo ao longo dos próximos dois anos.
“A conferência deste ano não poderia acontecer em um momento mais importante. Pela primeira vez em duas décadas, a fome cresceu na região, enquanto a obesidade e suas doenças associadas se tornaram a principal causa de morte em vários países. A hora de agir é agora”, alertou o representante regional da FAO, Julio Berdegué.
A reunião, que é a mais alta instância decisória da FAO a nível regional, terá três temas centrais: erradicar a fome, o excesso de peso e a obesidade; acabar com a pobreza rural; e promover uma agricultura sustentável que seja resiliente às mudanças climáticas.
“Mais de 42 milhões de pessoas dormem com fome todas as noites”, disse Berdegué, que lamentou os retrocessos na luta contra a fome na região. “Até recentemente, o mundo olhava para a região para replicar nossas políticas contra a fome. Mas, nos últimos anos, vimos um aumento da fome. O que queremos discutir com os países é como colocamos nosso pé de volta no acelerador.”
O outro lado da má nutrição – a obesidade – é um problema que já afeta 96 milhões de pessoas.
O dirigente explicou que, de acordo com uma estimativa feita pelo Escritório Regional da FAO, em 26 países latino-americanos e caribenhos, as doenças associadas à obesidade são responsáveis por 300 mil mortes por ano. O número contrasta com as 166 mil pessoas mortas por assassinatos.
Além do aumento da fome, nos últimos anos, o ritmo de redução da pobreza rural caiu na região e, inclusive, foram observados aumentos em alguns países. Mais de 40% dos habitantes do campo são pobres e mais de 20% não conseguem sequer comprar uma cesta básica de alimentos.
“Devemos prestar atenção nos territórios onde a pobreza rural é mais difícil (de ser eliminada) e desenvolver novas ferramentas e políticas inovadoras de desenvolvimento rural para dar uma resposta urgente”, explicou Berdegué.
A migração é outro tópico que estará no centro das discussões da Conferência. “Que as pessoas não precisem migrar por causa da pobreza, da insegurança ou de catástrofes climáticas. Que aqueles que migrem sejam acolhidos em comunidades inclusivas e igualitárias. E que aqueles que retornem aos seus países de origem possam desenvolver todo o seu potencial. Esse é o nosso objetivo”, completou o dirigente.
De acordo com Berdegué, a região da América Latina e Caribe é uma das maiores produtoras de alimentos no mundo, o que a torna um ator de importância planetária. Mas a expansão agrícola também gerou grandes custos para as nações latino-americanas e caribenhas: poluição da água, degradação da terra, desmatamento, monoculturas e emissões de gases do efeito estufa.
Segundo a FAO, a região deve expandir sua produção de alimentos por meio de práticas sustentáveis, adaptando seus sistemas de produção às novas condições climáticas. “O que acontecer com a agricultura nesta região afetará todo o mundo”, concluiu Berdegué.

Serviço

35 ª Conferência Regional da FAO para a América Latina e o Caribe 
Quando: 5 a 8 de março de 2018
Onde: Montego Bay Convention Centre, Rose Hall, Montego Bay, Jamaica
Quem:
Primeiro-ministro da Jamaica, Andrew Holness
Ministros da Agricultura, Desenvolvimento Social, Educação, Saúde e Meio Ambiente
Diretor-geral da FAO, José Graziano da Silva
Representante regional da FAO, Julio Berdegué
Secretária da Conferência Regional e representante regional adjunta da FAO, Eve Crowley

Para informações à imprensa:
Cecilia Valdés
Chefe de Comunicações para América Latina e o Caribe
Santiago, Chile
tel: (+56) 229 232 213

Benjamín Labatut
Oficial de Imprensa e Conteúdos
tel: (+56) 229 232 174

Para credenciamento de imprensa, clique aqui.

2/12/2018

Brasileira vence concurso internacional de pôsteres sobre o Holocausto

A designer brasileira Júlia Cristofi, de 26 anos, moradora de São Caetano do Sul (SP), ficou em primeiro lugar na Competição Internacional de Pôsteres sobre o Holocausto, concurso cuja etapa brasileira foi promovida pelo Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio) em conjunto com representantes do memorial israelense Yad Vashem.
Pôster criado pela designer brasileira Júlia Cristofi.
Pôster criado pela designer brasileira Júlia Cristofi.
A designer brasileira Júlia Cristofi, de 26 anos, moradora de São Caetano do Sul (SP), ficou em primeiro lugar na Competição Internacional de Pôsteres sobre o Holocausto, concurso cuja etapa brasileira foi promovida pelo Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio) em conjunto com representantes do memorial israelense Yad Vashem.
Um júri internacional selecionou os 12 melhores pôsteres a partir de mais de 150 inscrições de designers e estudantes de design de Áustria, Bósnia e Herzegovina, Brasil, China, Hungria, Índia, Indonésia, Israel, Peru, Polônia, Rússia, Sérvia e Eslovênia.
Os trabalhos serão exibidos em diversos países para a ocasião do Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, lembrado em 27 de janeiro, enquanto a exposição original será realizada na sede da ONU, em Nova Iorque, na mesma data. O primeiro lugar receberá um prêmio de 500 dólares, o segundo de 300 dólares e o terceiro, de 200 dólares.
Tendo como tema central “Mantenha a Memória Viva — Nossa Responsabilidade Compartilhada”, o concurso foi um projeto conjunto do Programa das Nações Unidas para Divulgação do Holocausto com a Escola Internacional para Estudos do Holocausto do Yad Vashem. A iniciativa também é patrocinada pela Fundação Asper e endossada pela Aliança Internacional pela Memória do Holocausto (IHRA, na sigla em inglês).
A designer brasileira Júlia Cristofi, de 26 anos, moradora de São Caetano do Sul (SP), ficou em primeiro lugar na Competição Internacional de Pôsteres sobre o Holocausto. Foto: Acervo Pessoal
A designer brasileira Júlia Cristofi, de 26 anos, moradora de São Caetano do Sul (SP), ficou em primeiro lugar na Competição Internacional de Pôsteres sobre o Holocausto. Foto: Acervo Pessoal
O pôster criado por Júlia apresenta imagens de sobreviventes do genocídio. “A principal ideia foi que os sobreviventes tomassem o protagonismo do pôster, pois são eles que têm a história a nos contar, são a memória viva em si e nós, como sociedade, temos a responsabilidade de recontar o que eles viram e passaram”, disse a designer em entrevista por telefone ao UNIC Rio.
“Como a chamada era ‘mantenha a memória viva’, pesquisei no site do memorial do Holocausto e nas redes sociais deles, e vi que havia muita coisa desses sobreviventes cujos retratos coloquei no pôster”, explicou.
“O símbolo do centro do pôster é o Chai, que significa vida, em hebraico. Costuma-se usar esse símbolo como pingente, como uma espécie de proteção”, disse ela.
Julia também se inspirou em um canal do memorial no YouTube, que apresenta entrevistas com sobreviventes. A cada ano, seis deles são escolhidos pelo Yad Vashem para acender tochas na sede da organização em Jerusalém, em memória dos 6 milhões de judeus mortos no Holocausto.
“Concursos como este são muito importantes para que a sociedade fale mais do Holocausto, para que isso não se repita”, disse Júlia, que trabalha com divulgação empresarial e frequentemente participa de concursos de artes visuais. Este foi o primeiro concurso de pôsteres da ONU do qual ela participou.

Exposição no Rio de Janeiro 

No dia 29 de janeiro, o Centro de Informação das Nações Unidas (UNIC Rio) inaugura a  exposição “Mantendo a memória viva: Nossa Responsabilidade Compartilhada” .
O diretor do UNIC Rio, Maurizio Giuliano, e o vice-presidente da Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro (FIERJ), Claudio Goldemberg, participam do evento, que terá ainda a exibição de um vídeo com depoimentos de sobreviventes do Holocausto que moram no Brasil.
A mostra fica em cartaz no Palácio Itamaraty (Av. Marechal Floriano, 196 – Rio de Janeiro) até o dia 28 de fevereiro.

Veja abaixo os pôsteres dos demais vencedores.

Via ONU Brasil

Economia global deverá crescer 3,1% em 2018, prevê Banco Mundial

O Banco Mundial anunciou na terça-feira (10), em Washington, que 2018 deve ser o primeiro ano, desde a crise financeira de 2008, em que a economia mundial operará em capacidade total ou quase total. O crescimento é estimado em 3,1%, segundo o relatório Perspectivas Econômicas Globais.
As economias da América Latina e Caribe, dentre as quais o Brasil, também avançarão em 2018. O relatório do Banco Mundial calcula 2% para a região e o mesmo percentual para o país. São progressos importantes frente às projeções para 2017, de 0,9% e 1%, respectivamente.
Crescimento sustentável da economia global requer melhora da qualidade da mão de obra. Foto: Agência Brasil
Crescimento sustentável da economia global requer melhora da qualidade da mão de obra. Foto: Agência Brasil
O Banco Mundial anunciou na terça-feira (10), em Washington, que 2018 deve ser o primeiro ano, desde a crise financeira de 2008, em que a economia mundial operará em capacidade total ou quase total. O crescimento é estimado em 3,1%, segundo o relatório Perspectivas Econômicas Globais.
Calcula-se que a alta se deverá à retomada dos investimentos, da manufatura e do comércio. Além disso, as economias em desenvolvimento, exportadoras de matérias-primas, poderão se beneficiar de melhores preços para esses produtos.
A tendência de desaceleração do crescimento potencial, no entanto, preocupa os autores do estudo. Ela reflete a rapidez com que uma economia pode se expandir quando a mão de obra e o capital estão sendo plenamente utilizados. Isso faz as perspectivas de melhoria serem de curto prazo, colocando em risco os avanços conquistados nos níveis de vida e na redução da pobreza em todo o mundo.
Para enfrentar a desaceleração, os formuladores de políticas precisarão ir além dos instrumentos de políticas monetárias e fiscais capazes de estimular o crescimento no curto prazo. Segundo o relatório, será preciso focar em investimentos para melhorar a qualidade da força de trabalho e a produtividade.

Progressos

As economias da América Latina e Caribe, dentre as quais o Brasil, também avançarão em 2018. O relatório do Banco Mundial calcula 2% para a região e o mesmo percentual para o país. São progressos importantes frente às projeções para 2017, de 0,9% e 1%, respectivamente.
Em toda a América Latina e o Caribe, o impulso do crescimento deverá se intensificar à medida que o consumo privado e o investimento se reforçarem, especialmente entre economias de exportação de produtos básicos.
Mas a economia da região também poderá sofrer com incertezas políticas, desastres naturais, aumento do protecionismo comercial nos Estados Unidos ou maior deterioração das condições fiscais internas.
O novo estudo do Banco Mundial não analisa somente perspectivas regionais e globais. Também discute as lições do colapso do preço do petróleo entre 2014 e 2016, bem como o elo entre educação e menores níveis de desigualdade nas economias em desenvolvimento.
Via ONU Brasil

1/20/2018

ARTIGO: Rumo a um novo pacto global para migração

Em artigo publicado no jornal britânico The Guardian, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirma que administrar a migração é um dos desafios mais profundos da cooperação internacional nos dias atuais.
"A migração incentiva o crescimento econômico, reduz as desigualdades e conecta sociedades diferentes. Contudo, é também fonte de tensões políticas e tragédias humanas". Leia o artigo completo.
Então alto-comissário da ONU para refugiados, António Guterres participa de encontro com refugiados na fronteira entre a Líbia e a Tunísia. Foto: ACNUR/A. Branthwaite (março de 2011)
Então alto-comissário da ONU para refugiados, António Guterres participa de encontro com refugiados na fronteira entre a Líbia e a Tunísia. Foto: ACNUR/A. Branthwaite (março de 2011)
Por António Guterres, secretário-geral da ONU*
Administrar a migração é um dos desafios mais profundos da cooperação internacional nos dias atuais.
A migração incentiva o crescimento econômico, reduz as desigualdades e conecta sociedades diferentes. Contudo, é também fonte de tensões políticas e tragédias humanas. A maioria dos migrantes vive e trabalha legalmente. Mas uma minoria desesperada coloca suas vidas em risco ao entrar em países onde podem encontrar desconfiança e abuso.
Pressões demográficas e o impacto das mudanças climáticas em sociedades vulneráveis possivelmente conduzirão os rumos da migração nos próximos anos. Como uma comunidade global, defrontamo-nos com a escolha. Queremos que a migração seja fonte de prosperidade e solidariedade internacional ou sinônimo de desumanidade e atrito social?
Neste ano, governos negociarão o Pacto Global para Migração por meio das Nações Unidas. Será o primeiro acordo internacional deste tipo. Não será um tratado formal. Nem irá vincular quaisquer obrigações aos Estados.
Ao contrário, é uma oportunidade sem precedentes para líderes combaterem mitos perniciosos que cercam os migrantes e estabelecer uma visão comum de como fazer a migração funcionar para todas as nossas nações.
Esta é uma tarefa urgente. Temos visto o que acontece quando a migração em larga escala ocorre sem mecanismos efetivos para administrá-la. O mundo ficou chocado com vídeos recentes de migrantes sendo vendidos como escravos.
Sombrio como estas imagens, o escândalo real é que centenas de migrantes sofram o mesmo destino todos os anos, sem registros oficiais. Muitos ficam presos a trabalhos precários e humilhantes, que beiram à escravidão.
Há cerca de 6 milhões de migrantes presos em trabalho forçado hoje, muitas vezes em economias desenvolvidas. Como podemos colocar um fim a estas injustiças e prevenir que elas ocorram no futuro?
Ao estabelecer clara direção política sobre o futuro da migração, acredito em três considerações fundamentais que podem guiar as discussões do Pacto.
A primeira é reconhecer e reforçar os benefícios da migração, tão frequentemente perdidos no debate público. Os migrantes dão grandes contribuições, tanto para os países anfitriões quanto para os países de origem.
Eles ocupam postos de trabalho que a mão-de-obra local não consegue preencher, alavancando a atividade econômica. Muitos são inovadores e empreendedores. Quase a metade dos migrantes é mulher, procurando uma vida melhor e oportunidades de trabalho.
Os migrantes também dão uma contribuição ao desenvolvimento internacional ao enviar recursos para seus países de origem. Este envio somou quase 600 bilhões de dólares no ano passado — três vezes o valor de toda ajuda de desenvolvimento.
O desafio fundamental é maximizar os benefícios disto com uma migração ordenada e produtiva, enquanto eliminamos os abusos e o preconceito que transforma num inferno a vida de uma minoria de migrantes.
Em segundo lugar, os Estados precisam fortalecer a regra da lei, fundamentando como proteger e lidar com os migrantes — para o benefício de suas economias, de suas sociedades e dos próprios migrantes.
Autoridades que levantam grandes obstáculos contra a migração — ou implementam restrições severas nas oportunidades de trabalho para migrantes — infligem prejuízos desnecessários para suas economias, na medida em que impõem barreiras para que a força de trabalho seja legal e organizada.
Pior do que isto: acabam involuntariamente encorajando a migração ilegal.
Pessoas que desejam migrar, quando têm negado o caminho legal para viajar, inevitavelmente acabam caindo em métodos irregulares. Isto não só os coloca em posições vulneráveis como também compromete a autoridade dos governos.
O melhor jeito para acabar com o estigma da ilegalidade e o abuso contra migrantes é, de fato, que os governos coloquem em prática mais caminhos legais para a migração, retirando incentivos para que indivíduos burlem as regras, enquanto atendem melhor às necessidades de seus mercados de trabalho para estrangeiros.
Os Estados também precisam trabalhar conjuntamente para compartilhar os benefícios da migração como, por exemplo, por meio de parcerias para identificar significativos hiatos de competência num país, que migrantes de outros lugares são qualificados a preencher.
Terceiro e por último, precisamos de maior cooperação internacional para proteger os migrantes vulneráveis, assim como refugiados, e devemos restabelecer a integridade do regime de proteção de refugiados, em linha com a legislação internacional.
O destino de milhares que morrem em condenados esforços ao cruzar oceanos e desertos não é apenas uma tragédia humana. Também representa a mais aguda falência política: movimentos de massa sem regulação em circunstâncias desesperadoras dão a noção de que as fronteiras estão sob ameaça e os governos não têm controle.
Em resposta, isto leva a controles de fronteira draconianos, que comprometem nossos valores coletivos e ajudam a perpetuar as tragédias que temos visto nos últimos anos.
Precisamos atender às obrigações básicas de resguardar as vidas e os direitos humanos dos migrantes onde o atual sistema falhou.
Precisamos adotar medidas urgentes para ajudar aqueles presos em acampamentos transitórios ou com risco de escravidão ou enfrentando situações de extrema violência, seja no Norte da África ou na América Central. Precisamos prever ambiciosa ação internacional para reestabelecer aqueles que não têm para onde ir.
Devemos também adotar medidas — através de ajuda de desenvolvimento, esforços para mitigar mudanças climáticas e prevenção de conflitos — para evitar estes massivos movimentos não regulados de pessoas no futuro. Migração não deveria ser sinônimo de sofrimento.
Precisamos ambicionar um mundo no qual possamos celebrar as contribuições da migração para prosperidade, desenvolvimento e unidade internacional. É nosso poder coletivo alcançar este objetivo. O Pacto Global deste ano pode ser o marco no caminho para realmente fazer a migração dar certo para todos.
*Artigo publicado originalmente no jornal britânico The Guardian em 11 de janeiro de 2018
Fonte: ONU Brasil