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6/24/2017

Carta de Jacarezinho - Leia aqui

18ª Sessão do Fórum Permanente de Controle e Fiscalização dos Recursos da Educação

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CARTA DE JACAREZINHO
A 18° Sessão do Fórum Permanente de Controle e Fiscalização dos Recursos da Educação, se realiza numa conjuntura extremamente adversa para a política educacional e, particularmente, em relação aos investimentos e à valorização dos trabalhadores em educação. Desde a realização da 17ªSessão do Fórum, na Lapa - PR, as medidas implementadas pelo ilegítimo governo federal, com a anuência e conivência de deputados e senadores, estão produzindo um profundo retrocesso à educação, aos serviços públicos e aos direitos da classe trabalhadora.
A Emenda Constitucional 95 que interrompe o processo de investimentos para os próximos 20 anos, produzirá a ampliação da desigualdade social e educacional existente no país, tornando, praticamente, impossível atingir as metas do Plano Nacional de Educação, se não forem revertidas. A PEC 287, em tramitação no Congresso Nacional, destrói a seguridade social e o direito à aposentadoria da grande maioria das trabalhadoras e trabalhadores brasileiros.
Este Fórum acontece não mais num cenário de avanços, mas de resistência para conter o retrocesso. E, como destacado na mesa de abertura, esta talvez seja a Sessão mais importante deste Fórum, pois estamos diante do debate sobre o futuro do novo FUNDEB com a tramitação da PEC 15/2015 (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação Básica- FUNDEB), que mereceu a centralidade dos debates.
Neste cenário desafiador, o caminho não é abandonar a esperança, ao contrário, é mais do que nunca o momento de renovar as energias para as batalhas em curso e as que advirão. Não podemos rebaixar ou abandonar as metas traçadas no Plano Nacional e nos Planos Municipais de Educação.
Ainda que muitas administrações municipais tenham se aliado a esse processo de desmonte dos serviços e da educação pública, é preciso aproveitar as oportunidades que se apresentarem, e promover os avanços possíveis nesse cenário de retrocessos e resistências, seja consolidando os reajustes do PSPN, revisando os Planos de Carreiras, implementando os espaços de gestão democrática e de controle social,ou mesmo resistindo para que não haja a redução de direitos.
Este Fórum consolidou a percepção da importância e necessidade da intervenção política de educadoras e educadores, tanto nos espaços municipais, quanto estadual e nacional. Para tanto, ouvimos dirigentes sindicais, integrantes de administração municipal, parlamentares, conselheiros(as) do FUNDEB e de Conselhos Municipais de Educação, sobre os mecanismos de monitoramento e de intervenção na administração pública e nos processos legislativos, para que as políticas públicas, particularmente as educacionais, e as legislações coadunem com os princípios constitucionais de superação das desigualdades, valorização da educação e dos seus profissionais, de melhoria da qualidade de vida da população.
Ao final dos debates, foram aprovados os seguintes encaminhamentos:
1) Propor aos deputados federais e senadores um conjunto de medidas para que o novo FUNDEB em debate na PEC 15/2015 se torne permanente, no entanto com os princípios defendidos e aprovados no Plano Nacional de Educação para o CAQ (Custo Aluno Qualidade), quais sejam:
1.1. Art. 212-A, III – incluir o inciso VI do art. 208 da CF, que trata do ensino noturno, como referência para a distribuição dos recursos do FUNDEB.
1.2. Art. 212-A, III, “b” – estabelecer o CAQi como mecanismo de cálculo do valor per capita anual.
1.3. Art. 212-A, III, “c” – prever a regulamentação do piso do art. 206, VIII da CF, a fim manter a coerência do texto constitucional.
1.4. Art. 212-A, VI – estabelecer a contribuição mínima da União no percentual de 20%, com vistas a atender ao CAQi.
1.5. Art. 212-A, XI – aumentar o percentual para pagamento de folha de pessoal para 80% no mínimo, para atender ao princípio do piso salarial e da carreira para todos os profissionais da educação.
1.6. Art. 212-A, § 1º – prever os critérios de composição do CAQi.
1.7. Art. 212-A, § 2º – observar 20% no mínimo de contribuição da União sobre o total do Fundo.
2) Promover uma campanha em favor da aprovação das propostas de modificações da PEC 15/2015 pelo Congresso nacional, a serem incorporadas num substitutivo.
3) Incorporar à presente carta as seguintes proposições formuladas pela Frente Brasil Popular para a reforma tributária, integrantes do Plano Popular de Emergência para restabelecer a ordem constitucional democrática, defender a soberania nacional, enfrentar a crise econômica, reverter o desmonte do Estado e salvar as conquistas históricas do povo trabalhador, e particularmente para assegurar a ampliação dos investimentos em educação e o efetivo cumprimento das 20 Metas do PNE e das Metas constantes nos PMEs.
3.1. Financiamento do Sistema Único de Saúde, a partir da recriação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), que deverá incidir sobre depósitos ou movimentações bancárias a partir de determinado valor, estabelecendo arrecadação compartilhada com estados e municípios.

Fórum do Fundeb aprimora mecanismos de fiscalização de uso dos recursos para educação

     Fórum do Fundeb aprimora mecanismos de fiscalização de uso dos recursos para educação


       O destino dos investimentos em educação e como esse trabalho é realizado foi tema do 18º Fórum de Controle e Fiscalização dos Recursos da Educação (FUNDEB), realizado nos dias 22 e 23 de junho, em Jacarezinho (PR). Foram dois dias de muitas reflexões e debates para capacitação no processo de fiscalização do uso das verbas destinadas ao ensino básico no país. Foi a 18 ª Sessão do Fórum, que começou em 2003, a partir de uma iniciativa do mandato do deputado estadual Tadeu Veneri (PT) com apoio de diversas entidades.


    “Não adianta ter uma legislação bonita, tem que ter recurso para por ela em prática”, afirmou Eduardo Ferreira, da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE).” Os profissionais da educação são desvalorizados e, juntos, podemos construir uma sociedade mais justa. Qualquer ação do estado deve ser pautada nos desafios da constituição”, completa Milton Canuto, representante da CNTE, que participou de uma mesa de discussões sobre sobre o desmonte de políticas públicas.


     “Não temos uma direção no Fórum, ele se constitui com parceiros de forma colaborativa. Fazemos um processo onde aprendemos e ensinamos coletivamente, tentando passar um pouco do que vivenciamos no dia a dia”, disse o deputado Tadeu Veneri. Ele entende que o fórum é uma forma de fiscalização para que a sociedade se capacite para fazer funcionar os mecanismos de controle da aplicação das verbas, evitando os desvios.

     A 18ª sessão teve a participação da APP-Sindicato, parceira na realização desta rodada, Ministério Público Estadual e representantes de diversas entidades que atuam na área da educação, além de profissionais do magistério e do setor.



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