A luz da lamparina dançava frente ao ícone da Santíssima Trindade. Paciente, a avó ensinava a prostrar-se em reverência, persignar-se com três dedos e rezar em língua eslava. De mãos postas, a menina fielmente repetia palavras que ela ignorava, mas Deus entendia. Do livro: “Poesias escolhidas” (em português e ucraniano).
No sertão nasceu uma rosa Tão bela e perfumada Entre as outras do seu povo Era a mais destacada
Uma flor para sua gente Um espinho para o inimigo Uma amazona contente Enfrentando o perigo
Quatorze anos e alguns dias A idade da jovem guerreira Em seu olhar rebeldia Balas na sua algibeira
Cavalgava pelas matas Liderando a batalha Buscava seu espaço Não queria a medalha
Da linda flor tiraram a vida Com uma arma poderosa Mas a História lembra ainda Da Guerreira Marai Rosa (Poema de Anderson Gibathe) In: Valentini, Delmir et al (Orgs.). Centenário do Contestado: poesias, memórias e canções. Porto Alegre, RS: Letras e Vida; Chapecó:UFF, 2013, p. 32.