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8/21/2019

Primeira Festa do Monge João Maria é realizada com sucesso

      No último dia 18 de agosto, o município de Rebouças sediou a primeira edição da Festa do Monge João Maria, que ocorreu junto com o II EMAR - Encontro de Meio Ambiente de Rebouças. O evento foi promovido pela Prefeitura de Rebouças, MASA - Movimento Aprendizes da Sabedoria e IFPR - Instituto Federal do Paraná e contou com a presença de centenas de pessoas do município, de outras regiões do Paraná e de Santa Catarina.
       
      O local escolhido para a realização do evento é uma unidade de conservação municipal, o "Parque Ambiental Monge João Maria" criado pela Lei Municipal 2042/2017 após a realização de audiência pública e demais trâmites legais. O local abriga uma fonte de água (nascente) que, segundo a tradição, foi deixada pelo próprio monge João Maria no final do séc. 19 ou início do séc. 20; árvores nativas centenárias, como Araucárias, Cedros, Imbuias e Canelas. Saiba mais sobre a criação do parque aqui.

         Dentre as atrações do evento, destacam-se a caminhada realizada pela cidade até o local da concentração, o ato religioso na fonte de água do parque, doação de cães para adoção, distribuição de mudas florestais nativas, feira agroecológica, romaria de São Gonçalo e a palestra sobre os monges com o Prof. Dr. Nilson César Fraga da UEL - Universidade Estadual de Londrina-PR.

Veja também: Romaria da Terra do Paraná 2019
        
           Em sua explanação, o Prof. Nilson atraiu a atenção do público presente ao dar uma verdadeira "aula de história" sobre a peregrinação dos monges no início do século passado na região, sobre os horrores da Guerra do Contestado (que ocorreu bem próxima do município de Rebouças), sobre a formação do território, comunidades tradicionais e demais assuntos relacionados. O professor também fez um comparativo do momento da época com os retrocessos atuais e ainda narrou detalhes da execução de mais de 30 mil pessoas na guerra que foi um "genocídio caboclo" tão pouco comentado.

Feira de Sementes reuniu milhares de pessoas em Rebouças

        Também fizeram o uso da palavra o prefeito municipal Luiz Everaldo Zak e a líder do MASA Ana Maria dos Santos. O prefeito deu boas vindas ao público presente e falou da importância do parque e do trabalho desenvolvido com as benzedeiras e demais detentores de ofícios tradicionais de cura.  Ana, por sua vez destacou a importância da organização dos povos tradicionais, da necessidade de superação do preconceito e teceu críticas às políticas neoliberais que castigam a população mais pobre, como a reforma da previdência.

        O Movimento Aprendizes da Sabedoria que reúne detentores de ofícios tradicionais (benzedeiras, parteiras, rezadeiras, costureiras de redindura, dentre outros) tem 10 anos de história enquanto movimento social. Durante esse período foram realizadas dezenas de atos públicos, culturais e religiosos como cursos, palestras, encontros, romarias e reuniões. Ainda houve o reconhecimento por Lei Municipal nos municípios de Rebouças, São João do Triunfo e Irati; Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade (2011); reconhecimento por Lei Estadual como Patrimônio Cultural Imaterial do Paraná - projeto de lei do dep. Tadeu Veneri (2018); reportagem Nacional pela TV Globo no Programa Globo Rural; moção de aplausos pela Câmara de Vereadores de Rebouças, dentre tantas outras conquistas. Saiba mais sobre o MASA: CLIQUE AQUI.

      Até o final do dia, estima-se que cerca de 1.000 pessoas passaram pelo local, mostrando que o evento "veio para ficar" e que com certeza se repetirá com muito mais vigor nos próximos anos.



Plantas Medicinais


Pessoas tomam da água que segundo a tradição foi deixada pelo Monge São João Maria

Ato religioso junto ao olho d' água 

Público presente

Prefeito de Rebouças - Luiz Everaldo Zak

Distribuição de mudas nativas - Erva Mate

Público presente na palestra do Geógrafo Nilson Fraga

Povos tradicionais (indígenas) prestigiando o evento

Comunidade reboucense e de outros municípios

Prof. Nilson César Fraga (UEL)

Mudas nativas para distribuição gratuita

Parque Ambiental Monge João Maria - bosque.

Benzedeira do MASA mostrando a carteirinha de reconhecimento por lei municipal

Monge João Maria - santo popular

Vegetação Nativa protegida no Parque Ambiental

Trilha Ecológica

Sementes nativas


Remédios caseiros e fé!

Plantas Medicinais - Biodiversidade e Saúde

Texto e imagens: Anderson Gibathe (andersongibathe5@gmail.com)

3/16/2019

Dicionário do Sul Paranaense

Essa postagem não visa promover o preconceito linguístico e nem se preocupa com as formalidades da língua portuguesa. Nosso foco é apresentar algumas palavras do dialeto da população sul paranaense, como forma de valorizar nossa cultura e nossa gente.

Ade: admiração, descrença, dúvida.

Alemãozinho: tipo de abelha nativa, mirim (Plebeia).

Arcaide: cínico, sem vergonha.

Ardida: Diz-se de madeira ruim, meio podre (Essa imbuia eu não quero porque é ardida!).


Arrancão: sair em disparada, correndo.


Arranca rabo: briga, discussão.

Arrotar repoio podre: Se gabar, contar vantagem.


Arriame: instrumento de uso em cavalos.

Aspas: chifres.

Bassora: Vassoura.

Barrigueira: peça do arriame que passa pela barriga do cavalo.

Beronha: Mosca varejeira.


Bofes: miúdos de animais, normalmente consumidos fritos (rins, fígado, etc).

Boja: Deus (deriva dos idiomas ucraniano e polonês)

Bege Boja: Beijar santo.

Briquiá: fazer troca/rolo.


Bufando: Cheio, quase transbordando (O rio Imbituvão está bufando de cheio!).


Burcão: nuvem que indica chuva.

Cagando pras tiradeiras: diz-se do indivíduo que está fraco, debilitado de força física ou saúde. (Tiradeira é uma peça do arriame: instrumento usado em cavalos).


Cabeça-de-nego: sorvete do tipo moreninha.


Cagar no eito: fazer coisa errada/cagada.

Capora: personagem feminino do lendário popular, assombração.

Caipora: xingamento

Campina de cacete: surra.


Canetiar: escrever/multar.

Canudo: diarreia.

Carmaril: relâmpago, raio.

Carniça: xingamento: se diz para alguém que "não vale nada"

Caiambéque: Carro velho, carrinho de brinquedo.

Carça-rasgada: Doce frito de canela e açúcar, tipo churros.


Caxêta: Doce de cortar em pedaços, tipo goiabada cascão

(Bába fez caxeta de pêssego hoje).

Caxêta: jogo com baralho.

Cerca de vedo: tipo de cerca usada para delimitar os criadouros coletivos no sistema faxinal.

Chiminé:
Chaminé.


Chinelão: Peixe grande, do tamanho de um chinelo.


Chinex: Ou chinéque, pão doce arredondado com cobertura açucarada.


Circuíte: Choque elétrico (Gabriézinho levou um circuite na tomada).


Cobaça: Linguiça pura de porco, defumada.


Córno: Diabo (Mas que frio dos córno!)

Coróte: Pequeno bujão de gás para lampião, também pessoa baixa e gorda.


Corovai: tipo de bolo doce servido normalmente em casamentos (cultura ucraniana).

Cozer: Costurar (redindura).

Crendios figa: Admiração.


Criação: animais domésticos (vaca, cavalo, cachorro, gato, galinha): "vai tratar a criação".

Cuivara: Vara usada para ameaçar crianças/resto de madeira queimada em roça de toco.


Curisco: relâmpago.


Custia: costela.

De varde: Atoa, sem ocupação, derivando de debalde.


De vereda: rápido, surpresa.

Decumento: Documento.


Defeitôso: Com deficiência física, deficiente.


Diasmeia: Trocar meio a meio, repartir ao meio.


Diorsa: tranqueira, coisa, o mesmo que joça.

Discoivarar: limpar o terreno depois da queimada.


Dolé: picolé.

Dorada: Dores pelo corpo.


Escadera: costas ou dorso.


Furquilha:
Complô de dois contra um (Vocês tão de furquilha contra mim!).


Espingardiado: Arrebentado, estropiado, acabado.


Féla: Incrível, ousado, menino maluquinho (Fulaninho é féla!).


Fióte: ânus. xingamento: "teu fióte".

Fuzilo: Relâmpago.

Eito: pequeno pedaço de terra.


Eslaque: tipo de calça muito comum na década de 90.

Estiada: intervalo de chuva.

Estiva: chiqueiro.

Furar abelha: coletar mel.

Géle bento: mistura milagrosa, que cura, para muitos cachaça.


Grimpa: folha de pinheiro, o mesmo que sapé.

Guaramputa: xingamento.

Guampa: chifre ou copo feito de chifre.

Inlhado: Enrolado, demorado, lento, atrapalhado para fazer algo.


Irapuá: tipo de abelha nativa que "gruda no cabelo"

Jabuticava: Jabuticaba.


Jegue: Esquisito, que não combina. ( Essa camisa fico Jegue pro Miroslau).


Jacobosqui: arma de fogo, revólver.


Jipão: fogão a lenha feito com tijolos e chapa de ferro.

Jogar praga: desejar o mal.

Jorna: instrumento manual usado pra moer milho.

Largar mão: Desistir de algo (Yujo largo mão de namorar Maria).


Lajana: tipo de vassoura feita com um arbusto comum na região.

Laxético: (xingamento) Lazarético, lazaretimônico, lazarento, caipora etc.


Lavagêro: Cão vira-lata.


Liviano: Coisa leve, que não é pesada.


Lida: trabalho diário.


Lona ou lona disgraçada: crise, falta de dinheiro.


Lomba: relevo mais alto, serra.

Luxento: fino, cheio de luxo.


Luvisóme: Homem feio, ou muito feio.


Trago: gole de bebia alcoólica.

Trocar de mano: quando se troca um objeto por outro sem nenhum acréscimo (volta).

Mão: unidade de medida, comumente usada para contar espigas de milho.

Mestura: carve, ovo, proteína.


Mongo: Sujeito atrapalhado, que não leva jeito, que não é esperto.


Moranga: pulga em estágio avançado/zóio de lambari.

Negrinho Pastorinho: o mesmo que negrinho do pastoreio, personagem folclórico do sul do Brasil a quem se recorre quando se perde algum animal.

Nhêngo: Burro, idiota, tolo.


Nó pras costa: coisa ou sujeito enrolado.


Oiado: o mesmo que mal olhado, olho  gordo, inveja.

Olhosa: Injeção muito dolorida (Vou te levar na farmácia pra tomar uma olhosa).


Orelha de Padre: feijão graúdo usado em saladas, fava.

Ornear: combinar, harmonizar.


Orvaia: Uvaia, fruta nativa da região da família Myrtaceae.

Orópa: abelha europeia (Apis).

Pedra-lisa: o mesmo que bêbado.


Penicite:
Apendicite.


Perral: terreno dobrado, serra, montanha.

Piá: menino.

Picadinho:
Café com leite com muito açúcar, com pão picado dentro.


Pioiéco: Pequeno, miúdo.


Pidoncho: pedinte.


Poa: tipo de furadeira manual.

Pragata: chinelo de dedos.


Própris: Própolis

Prudentópis: Prudentópolis (município).

Puxirão: Mutirão na roça entre vizinhos e amigos.


Quarta: unidade de medida de terras (equivalente a um quarto de alqueire).

Quebra unha: futebol de campinho, pelada.

Queimação: azia.

Quisto: Cisto (Nízia se operô de quisto no ovário).


Rabo de galo (1): gole de bebia alcoólica.

Rabo de galo (2): nuvem que indica chuva.

Rabo de égua: tipo de capim que indica terra fraca.

Rage: Situação complicada (Nóis passemo uma raje na missa das dez!).


Rage: intervalo de chuva.

Representô: Ter uma visão, impressão, relacionado com medo, ver vultos ou assombração (Não assuste a criança senão vai representá pra ela de noite!).


Reborsa: Rebouças (município).

Redindura: tipo de machucadura.

Réstia: reflexo do sol ou da luz no espelho ou no vidro.


Relampiando: que emite muito brilho.


Rinso: Sabão em pó (marca antiga).


Riscando facão: Expressão de ameaça, perseguição 

(Mihátcho saiu riscando facão atrás do Sapháte).

Rolo: troca.

Roseta 21: Tipo de bicicleta cuja engrenagem traseira tem 21 dentes.


Ruges: Maquiagem (Mais olhem como a Tereza se rebocô de rugem!).


Salambaia: Samambaia.


Salamoníco: Sal amoníaco, bicarbonato de amoníaco.


Samongo: Sujeito atrapalhado, que não leva jeito, que não é esperto.

Sapé: folha de pinheiro, usado para começar fogo, o mesmo que grimpa.

Saprema: Sistema de alavanca, ponto de apoio (Faça uma suprema).


Sassará: tipo de formiga.

Salamargo: Sal amargo, cloreto de magnésio, com efeito purgativo.


Semelhante: Grande, enorme etc (Bibo pegou uma semelhante de um lambari no Rio Potinga).


Sengo: tipo de ferradeira semelhante a uma pequena cavadeira, antes suado para plantar milho.

Se arrodiando: se enrolando, ganhando tempo, que não toma atitude.


Serra Pau: tipo de besouro que corta pequenos galhos de árvore.

Siquilho: Tipo de bolacha, biscoito de araruta.


Stop: tecido jeans.

Taiada: Fatia, pedaço (Estefano, me vê aí uma taiada de xaxixo).


Taiadera: o mesmo que talhadeira (ferramenta).

Taio: o mesmo que talho, corte.

Tanque: açude, represa pra criar peixes.

Taréco: cínico, sem vergonha.

Tiguéra: terreno com muito mato.


Tchuco: Bêbado.


Térnica: Garrafa térmica (Faça café e coloque na térnica!).


Tórda: Capota de carro ou carroça.


Tosse comprida: coqueluche.

Tracutinga: tipo de formiga graúda que pica dolorido.

Tratar: o mesmo que "alimentar"

Tutuca de cacete: surra.

Venzimento: o mesmo que benzimento, prática de benzedeira, cura.

Visage: assombração, fantasma.

Vina: Salsicha.

Ventas: nariz de animal.

Xaxixeiro: Trabalhador desleixado.


Xaxixo: tipo de embutido/salame rosa.

Zóio de Pomba: tipo de feijão crioulo de cor rosada e branca.

Zóio de Lambari: pulga em estágio avançado/moranga.

Zóio de Sogra: flor amarela comum em terrenos baldios.


Fonte: http://henryclaude.blogspot.com/search?q=dicion%C3%A1rio com incrementos de outras palavras comuns na região.

12/29/2018

Lei 15673 reconhece os faxinais no Estado do Paraná


Publicado no Diário Oficial nº. 7597 de 13 de Novembro de 2007 


Lei 15673  de 13 de Novembro de 2007


Súmula: Dispõe que o Estado do Paraná reconhece os Faxinais e sua territorialidade, conforme especifica.

A Assembléia Legislativa do Estado do Paraná decretou e eu sanciono a seguinte lei:

Art. 1°. O Estado do Paraná reconhece os Faxinais e sua territorialidade específica, peculiar do estado do Paraná, que tem como traço marcante o uso comum da terra para produção animal e a conservação dos recursos naturais. Fundamenta-se na integração de características próprias, tais como:
a) produção animal à solta, em terras de uso comum;
b) produção agrícola de base familiar, policultura alimentar de subsistência, para consumo e comercialização;
c) extrativismo florestal de baixo impacto aliado à conservação da biodiversidade;
d) cultura própria, laços de solidariedade comunitária e preservação de suas tradições e práticas sociais.

Art. 2°. A identidade faxinalense é o critério para determinar os povos tradicionais que integram essa territorialidade específica.

Parágrafo único. Entende-se por identidade faxinalense a manifestação consciente de grupos sociais pela sua condição de existência, caracterizada pelo seu modo de viver, que se dá pelo uso comum das terras tradicionalmente ocupadas, conciliando as atividades agrosilvopastoris com a conservação ambiental, segundo suas práticas sociais tradicionais, visando a manutenção de sua reprodução física, social e cultural.

Art. 3°. Será reconhecida a identidade faxinalense pela autodefinição, mediante Declaração de Auto-reconhecimento Faxinalense, que será atestado pelo órgão estadual que trata de assuntos fundiários, sendo outorgado Certidão de Auto-reconhecimento.

Parágrafo único. O órgão estadual responsável deverá comunicar o reconhecimento da identidade faxinalense à Comissão Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais, criada por Decreto Federal em 27 de dezembro de 2004, alterado pelo Decreto de 13 de julho de 2006.

Art. 4°. As práticas sociais tradicionais e acordos comunitários produzidos pelos grupos faxinalenses deverão ser preservados como patrimônio cultural imaterial do Estado, sendo, para isso, adotadas todas as medidas que se fizerem necessárias.

Art. 5°. Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação.
PALÁCIO DO GOVERNO EM CURITIBA, em 13 de novembro de 2007.

Roberto Requião 

Governador do Estado


Lindsley da Silva Rasca Rodrigues 

Secretário de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos


Rafael Iatauro 
Chefe da Casa Civil

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11/25/2018

Benzedeiras e outros detentores de ofícios tradicionais passam a ser reconhecidos por lei no Paraná

Projeto do deputado estadual Tadeu Veneri se transforma em lei que reconhece ofícios tradicionais em patrimônio cultural e imaterial do Estado.

Lei transforma ofícios tradicionais em patrimônio cultural e imaterial do Estado

Graças a um projeto de lei do deputado estadual Tadeu Veneri (PT Paraná), surgiu a Lei 19.689/2018 que confere aos ofícios tradicionais a condição de patrimônio cultural imaterial do Estado do Paraná. 
A referida lei foi publicada no Diário Oficial do Estado nº 10.309 e contempla as benzedeiras, os romeiros de São Gonçalo, tocador de romaria, festeiros de santos, costureiras de rendidura, rezadeiras, remedieiros e parteiros entre outras atividades ligadas à promoção da saúde, baseada em práticas populares.

A lei implica reconhecimento da importância das ocupações e procedimentos voltados à promoção da saúde popular, que se utilizam de conhecimentos e práticas tradicionais repassados de geração à geração. A condição de patrimônio imaterial permite a ação do poder público para preservação destes ofícios e manifestações, que correm o risco de extinção.
A lei também possibilita que o Estado preste apoio e ofereça apoio e incentivos para que essas práticas continuem sendo repassadas entre as gerações. Para o deputado Tadeu Veneri, a lei reforça a necessidade de valorização do sentimento de identidade das comunidades e o respeito à diversidade cultural. A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) define como patrimônio imaterial "as práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas – com os instrumentos, objetos, artefatos e lugares culturais que lhes são associados - que as comunidades, os grupos e, em alguns casos os indivíduos, reconhecem como parte integrante de seu patrimônio cultural."
O Movimento Aprendizes da Sabedoria (MASA) foi fundamental para este reconhecimento, visto que trata-se de um movimento social de grande atuação em defesa dos ofícios tradicionais de cura no Estado.
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Com o slogan "Cuidar da Vida é Nossa Missão", o MASA completou no mês de setembro de 2018, dez anos de atuação. 
O movimento teve início no dia 08 de setembro de 2008, por ocasião da realização do primeiro encontro regional das benzedeiras e demais ofícios tradicionais, quando cerca de 70 pessoas decidiram que era necessário organizar se para fazer a luta pelo reconhecimento  e valorização desses saberes ancestrais.

Nestes dez anos, muitas foram as conquistas do movimento, como a realização de três encontros, dos quais dois em Rebouças e um em São João do Triunfo, sendo realizados trabalhos em parcerias com instituições de ensino(UFPR, IFPR, Unicentro e escolas municipais e estaduais), sindicatos, associações, movimentos sociais, Rede Puxirão de Povos Tradicionais e prefeituras.

Com origem no sudeste do Paraná, o movimento garantiu a primeira lei municipal de reconhecimento destes ofícios no município de Rebouças-PR em (2010) e mais duas leis municipais, no município de São João do Triunfo (2011) e Irati (2018). Além das leis municipais, muitas outras conquistas foram obtidas pelo movimento como o Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade (2011), a moção de honra pela Câmara Municipal de Rebouças, a construção da Parque Municipal do Monge João Maria em Rebouças; limpeza, proteção e reconhecimento de diversas fontes de água do monge João Maria; produção de documentário; produção de pesquisa científica em universidades do Paraná; realização de dezenas de encontros com trocas e experiências e oficinas; matérias jornalísticas em veículos impressos, rádio, internet e televisão e; talvez a conquista mais importante: a liberdade de praticar a solidariedade junto à população que mais precisa.


Fonte das informações: Movimento Aprendizes da Sabedoria e site do Deputado Estadual Tadeu Veneri.