Mostrando postagens com marcador Petróleo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Petróleo. Mostrar todas as postagens

4/14/2019

Próximo leilão do pré-sal ameaça arquipélago com maior biodiversidade marinha do país

Inclusão do Parque Nacional de Abrolhos no leilão de bacias de petróleo ignora parecer técnico do Ibama


Baleia jubarte mo Parque Nacional de Abrolhos, sul da Bahia - Créditos:  ICMBio
Brasil de Fato | Brasília (DF)
,
A inclusão de reservas de petróleo localizadas no Arquipelágo de Abrolhos, no litoral sul da Bahia, no próximo leilão preocupa entidades ambientalistas e sindicais. A decisão de autorizar a inserção partiu do presidente do Ibama, Eduardo Bim, apesar de recomendação contrária dos próprios técnicos do órgão. 
Abrolhos é o primeiro Parque Nacional Marinho considerado um marco para a conservação marinha no país. Thiago Almeida, da campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil, explica que a área tem grande relevância ambiental, sendo, por exemplo, área de reprodução de baleias jubarte. 
Ele explica que mesmo sem acidentes, a exploração petrolífera em si altera a dinâmica ecológica do local. Um dos casos é a atividade de prospecção de áreas específicas a serem exploradas, que envolvem explosões submarinas, afetando também, entre outras coisas, a população local que vive de pesca artesanal. 
“Estes blocos ainda podem ser excluídos do leilão. Esse é um precedente muito perigoso. A sensibilidade da região é muito grande. É o primeiro parque marinho brasileiro. É considerado a área mais importante de biodiversidade marinha de todo Atlântico Sul”, defende. 
Segundo  Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) um levantamento da biodiversidade da região registrou aproximadamente 1.300 espécies, 45 delas consideradas ameaçadas, segundo listas do Ministério do Meio Ambiente (MMA). Como é o caso de tartarugas-marinhas ameaçadas de extinção - como as tartarugas de couro, cabeçuda, verde e de pente - também se refugiam no Parque, além de aves marinhas como a grazina do bico vermelho, os atobás branco e marrom, as fragatas, beneditos entre outros, incluindo pequenas aves migratórias do Hemisfério Norte.
A exclusão pode ser realizada pelo próprio governo federal ou pela Agência Nacional de Petróleo. Almeida lembra também que, mesmo que a área permaneça no leilão, a exploração ainda deverá obter licenciamento ambiental. 
Entidades sindicais que representam os trabalhadores de Petrobras tem uma preocupação adicional no caso. Segundo Deyvid Bacelar, integrante da direção da Federação Única dos Petroleiros, a fiscalização ambiental sobre empresas privadas é menor do que em relação à estatal. 
“A Petrobras, em todas áreas nas quais opera, seja com concessão ou regime de partilha,  tem todo um cuidado justamente para não haver dano ao meio ambiente. Nós já estivemos exemplos ruins demonstrando que as empresas privadas não têm esse mesmo cuidado”, afirma.
Na ultima quarta-feira (10), o ministro do meio ambiente Ricardo Salles disse, em audiência na Câmara dos Deputados, que concorda com a decisão de Bim em liberar os blocos. O próprio Ministério do Meio Ambiente já havia identificado a região como área de extrema importância biológica e indicado ações prioritárias para conservação nos últimos anos. 
No último dia 6, o Parque de Abrolhos completou 36 anos. O Ministério Público Federal (MPF) já anunciou que pretende contestar a inclusão da área no próximo leilão.
 A 16.ª Rodada de Licitações está marcada para ocorrer em outubro. Ao todo, a rodada prevê a oferta de 36 blocos nas bacias marítimas de Pernambuco-Paraíba, Jacuípe, Camamu-Almada, Campos e Santos, totalizando 29,3 mil quilômetros quadrados de área
Edição: Anelize Moreira

4/10/2019

Petição Pública em defesa do Arquipélago de Abrolhos - ASSINE!


Nós da 350.org, juntamente com o Instituto Arayara e Coalizão Não Fracking Brasil pelo Clima, Água e Vida (COESUS), estaremos amanhã na sede da ANP para defender o direito à vida.
Convidamos a todos e todas para se manterem informados em nossas redes sociais sobre a discussão da possível venda de blocos para a exploração de petróleo e gás em áreas que incluem as proximidades do Arquipélago de Abrolhos.
Não podemos mais admitir a continuidade desses leilões fósseis criminosos que colocam tantas vidas em risco! 
O QUE SÃO OS LEILÕES FÓSSEIS E PORQUE ELES DEVEM PARAR?
Os leilões são eventos coordenados pela Agência Nacional de Petróleo e Gás (ANP), no qual são vendidos blocos (espaços em terra - onshore ou em mar - offshore), para que empresas, geralmente estrangeiras, possam extrair combustíveis fósseis.
O que acontece é que esses blocos são vendidos sem que haja qualquer envolvimento das vidas que serão afetadas pela atividade de exploração de petróleo. Quando uma empresa estrangeira inicia sua atividade, a economia local é fortemente afetada. Seja para quem vive da agricultura e têm sua produção prejudicada pela contaminação da água e do solo, seja para quem vive da pesca e percebe a morte e o afugentamento dos peixes. 
No mundo inteiro os investidores estão parando de investir em combustíveis fósseis, os países desenvolvidos estão cessando a exploração de projetos que contribuam com o aquecimento global, mas o Brasil continua indo na contramão entregando o subsolo para exploração e colocando em risco diversas vidas.
POR QUE SALVAR ABROLHOS?
Abrolhos foi o primeiro Parque Nacional Marinho criado no Brasil em abril de 1983, e os seus 87.943 hectares de conservação ajudam a proteger a região com a maior biodiversidade marinha do Atlântico Sul.
Segundo o ICMBio, dados de monitoramento pesqueiro mostram que a pesca nas regiões vizinhas ao Parque movimenta mais de R$ 100 milhões por ano, o que representa 10% da receita da atividade no Brasil. A unidade assegura a procriação das espécies contribuindo para a manutenção da pesca nas regiões vizinhas, que é o meio de subsistência para cerca de 20 mil pessoas na região.
Nesse mapa abaixo, as áreas em vermelho são os blocos que estarão disponíveis para leilão e que irão afetar diretamente a vida marinha da região.
Mapa de Abrolhos
Nossa luta é pelo direito à vida. Seja das futuras gerações que sofrerão com as consequências cada vez mais graves do aquecimento global, seja das gerações atuais que sofrerão diretamente os impactos da exploração de petróleo.
Precisamos que o maior número de pessoas se mostre contra esse absurdo que está sendo feito com tantas vidas. 
PARTICIPE E DIGA NÃO à exploração de Petróleo: SALVE ABROLHOS