7/08/2026

Relatório ODS 2026: Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável geram resultados concretos

Desde 2015, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) vêm gerando resultados concretos e mensuráveis em todo o mundo — agora, o mundo precisa urgentemente ampliar o que funciona, aponta o Relatório da ONU sobre os ODS 2026. 

Lançado nesta terça-feira (07/07) em Nova Iorque, o Relatório dos ODS afirma que, com menos de cinco anos até o prazo de 2030, é necessário um esforço final decisivo para manter a promessa dos ODS ao nosso alcance. 

Apesar dos avanços, persistem grandes desafios. Das 139 metas dos ODS com dados de tendências, apenas 36% estão no caminho certo ou apresentam progresso moderado para serem cumpridas até o prazo de 2030. Quase metade — 49% — avança muito lentamente. 15% das metas regrediram para níveis inferiores aos de 2015.

Projeção dos ícones dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) na sede das Nações Unidas em 22 de setembro de 2015, em antecipação à Cúpula das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, realizada de 25 a 27 de setembro. A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e os ODS foram adotados pelos 193 Estados-membros em 25 de setembro de 2015.
Legenda: Projeção dos ícones dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) na sede das Nações Unidas em 22 de setembro de 2015, em antecipação à Cúpula das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, realizada de 25 a 27 de setembro. A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e os ODS foram adotados pelos 193 Estados-membros em 25 de setembro de 2015.
Foto: © ONU/Cia Pak.

Desde sua adoção em 2015, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) têm gerado resultados em grande escala — proporcionando acesso à água, à eletricidade e aos serviços de saúde a bilhões de pessoas. 

No entanto, o progresso continua desigual e insuficiente. Sem um impulso decisivo para ampliar rapidamente as iniciativas que funcionam, a promessa dos ODS corre o risco de ficar fora de alcance, de acordo com o Relatório dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável de 2026, divulgado em 7 de julho em Nova Iorque. 


Adotados pelos 193 Estados-membros da ONU em 2015, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) são um compromisso histórico para superar os maiores desafios da humanidade até o ano de 2030. Tudo começou na Rio+20, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, realizada no Rio de Janeiro em 2012. A Rio+20 lançou os debates internacionais entre os Estados-membros e as consultas públicas globais que culminaram, três anos depois, na adoção unânime da Agenda 2030 para o Desenvolvimento

Legenda: Adotados pelos 193 Estados-membros da ONU em 2015, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) são um compromisso histórico para superar os maiores desafios da humanidade até o ano de 2030. Tudo começou na Rio+20, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, realizada no Rio de Janeiro em 2012. A Rio+20 lançou os debates internacionais entre os Estados-membros e as consultas públicas globais que culminaram, três anos depois, na adoção unânime da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e dos ODS.
Foto: © ONU.

O que uma década de evidências nos mostra: os ODS geram resultados

Desde 2015, investimentos sustentados, políticas sólidas e cooperação internacional melhoraram a vida de bilhões de pessoas em todo o mundo, com ganhos mensuráveis em todos os ODS:

  • Quase um bilhão de pessoas obtiveram acesso à água potável gerenciada com segurança e 1,2 bilhão, ao saneamento gerenciado com segurança. 

  • As novas infecções por HIV caíram 30% entre 2015 e 2024, e as mortes relacionadas à AIDS, 35%.

  • A eletricidade agora atinge 92% da população mundial. 

  • O acesso à internet disparou, passando de 40% para 74%. 

  • A proteção social abrange mais da metade da população global pela primeira vez na história. 

Por trás desses resultados está uma conquista importante e muitas vezes negligenciada: a revolução dos dados. Há uma década, havia dados disponíveis apenas para metade de todos os indicadores dos ODS. Hoje, um banco de dados global com mais de 3,2 milhões de pontos de dados abrange quase todos os indicadores — permitindo que os países identifiquem onde o progresso está se acelerando, onde persistem lacunas e quais políticas estão gerando resultados.

“Guiados pelos dados deste relatório, nossa visão da Agenda 2030 continua ao nosso alcance. Juntos, vamos dar um impulso final decisivo para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e construir um futuro saudável e próspero para todos”, afirmou o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.

O secretário-geral António Guterres (centro) fala durante a coletiva de imprensa sobre o Relatório dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 2024. À esquerda a vice-secretaria-geral, Amina Mohammed, e à direita Li Junhua, subsecretário-geral para os Assuntos Econômicos e Sociais do Nações Unidas. Foto: © UN Photo/Eskinder Debebe
Legenda: O secretário-geral António Guterres (centro) fala durante coletiva de imprensa sobre o Relatório dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 2024, na sede das Nações Unidas em Nova Iorque, em 28 de junho de 2024. À esquerda, a vice-secretária-geral Amina Mohammed, e, à direita, o subsecretário-geral para os Assuntos Econômicos e Sociais, Li Junhua.
Foto: © ONU/Eskinder Debebe.

Por que o mundo está ficando para trás: crises que se sobrepõem e um déficit de financiamento cada vez maior

Apesar dos avanços, persistem grandes desafios: 

  • Das 139 metas dos ODS com dados de tendências, apenas 36% estão no caminho certo ou apresentam progresso moderado. 

  • Quase metade — 49% — avança muito lentamente.

  • 15% das metas regrediram para níveis inferiores aos de 2015.

Uma em cada dez pessoas ainda vive em pobreza extrema. Cerca de 2,3 bilhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar moderada ou grave. Mais de 150 milhões de crianças continuam com atraso no crescimento. A mortalidade materna é quase três vezes maior do que a meta global. Nenhuma das metas de igualdade de gênero está no caminho certo. O número de pessoas afetadas por desastres relacionados ao clima mais que dobrou desde 2015.  

A escalada de conflitos, a mudança climática, a desaceleração do crescimento econômico, o aumento da dívida e uma queda recorde na assistência oficial ao desenvolvimento estão agravando o déficit e afetando de forma desproporcional as pessoas mais vulneráveis do mundo.

O que precisa acontecer agora: ampliar o que funciona

O Relatório destaca que os ODS continuam sendo o plano comum do mundo para a paz, a prosperidade e a sustentabilidade. Os dados acumulados ao longo de mais de uma década de implementação mostram que é possível alcançar avanços significativos — mas somente quando o compromisso político, o financiamento, a inovação e a cooperação internacional estiverem alinhados.

“Mais de uma década de implementação mostrou o que é possível”, afirmou o subsecretário-geral das Nações Unidas para Assuntos Econômicos e Sociais, Li Junhua.

“A tarefa agora é ampliar o que funciona — com a urgência, o investimento e a cooperação necessários para cumprir a promessa da Agenda 2030.”

É essencial eliminar o déficit anual de financiamento dos ODS, de aproximadamente US$ 4 trilhões — por meio do Compromisso de Sevilha e da reforma da arquitetura financeira internacional. Isso deve ser acompanhado por sistemas de dados mais robustos, por meio do Quadro de Medellín, para direcionar os investimentos primeiro aos mais vulneráveis. Acelerar a transição energética, aproveitar tecnologias de ponta — incluindo a inteligência artificial — para o desenvolvimento sustentável, promover a igualdade de gênero como prioridade transversal e reforçar a cooperação multilateral também serão fundamentais para o sucesso.

As escolhas feitas nos próximos quatro anos — em matéria de financiamento, cooperação e resposta coletiva a crises — terão efeitos duradouros para as gerações futuras, de acordo com o Relatório das Nações Unidas.  

O secretário-geral António Guterres (no pódio e nas telas) discursa na abertura da Cúpula dos ODS, em 18 de setembro de 2023. “Os ODS não são apenas uma lista de metas. Eles carregam as esperanças, os sonhos, os direitos e as expectativas das pessoas em todo o mundo. E representam o caminho mais seguro para cumprirmos nossas obrigações previstas na Declaração Universal dos Direitos Humanos”, afirmou o secretário-geral.
Legenda: O secretário-geral António Guterres (no pódio e nas telas) discursa na abertura da Cúpula dos ODS, em 18 de setembro de 2023. “Os ODS não são apenas uma lista de metas. Eles carregam as esperanças, os sonhos, os direitos e as expectativas das pessoas em todo o mundo. E representam o caminho mais seguro para cumprirmos nossas obrigações previstas na Declaração Universal dos Direitos Humanos”, afirmou o secretário-geral.
Foto: © ONU/Cia Pak.

Outros fatos e números importantes

Progresso:

  • A maioria das regiões estará próxima de erradicar a pobreza extrema até 2030, com exceção da África Subsaariana, do Oriente Médio e do Norte da África, e da Oceania (excluindo a Austrália e a Nova Zelândia).
  • Entre 2012 e 2024, a prevalência de atraso no crescimento entre crianças menores de cinco anos diminuiu, resultando em 30,2 milhões a menos de crianças com atraso no crescimento em todo o mundo.
  • A proporção de partos assistidos por profissionais de saúde qualificados aumentou de 80% para 87% entre 2015 e 2025 e está a caminho de atingir a meta de 90% até 2030.
  • Entre 2019 e 2025, foram promulgadas 99 reformas legislativas para eliminar leis discriminatórias e estabelecer estruturas de igualdade de gênero; as mulheres ocupam agora 27,4% das cadeiras parlamentares, contra 22,3% em 2015.
  • trabalho infantil diminuiu em mais de 20 milhões entre 2020 e 2024.
  • O desemprego global atingiu um nível quase historicamente baixo de 4,9% em 2025.
  • A capacidade de geração de eletricidade a partir de fontes renováveis per capita cresceu a uma taxa recorde de 14% entre 2023 e 2024 e agora é 2,2 vezes maior do que o nível de 2015.

Desafios:

  • Estima-se que a taxa global de pobreza extrema atinja 10% até 2026 — apenas 3 pontos percentuais abaixo do nível de 2015, muito abaixo da meta de erradicar a pobreza extrema até 2030.
  • 273 milhões de crianças e jovens continuam fora da escola; um em cada cinco jovens com idades entre 15 e 24 anos não está empregado, nem estuda, nem participa de treinamento, e os jovens têm quase quatro vezes mais chances de estar desempregados do que os adultos.
  • Estima-se que 1,16 bilhão de pessoas — aproximadamente um em cada quatro residentes urbanos — vivam em conjuntos habitacionais precários ou assentamentos informais.
  • A ajuda oficial ao desenvolvimento sofreu uma queda recorde de 23,1% em 2025 — o maior declínio anual já registrado —, voltando a níveis próximos aos de 2015.
  • população global de refugiados atingiu 440 por 100.000 pessoas em meados de 2025, mais do que o dobro do nível registrado uma década antes.
  • O risco de extinção está se agravando em todos os grupos de espécies; a proteção de áreas-chave de biodiversidade atingiu, em média, apenas 45% em 2025.
  • Os conflitos violentos atingiram seu nível mais alto em décadas. Em dezembro de 2025, mais de 117,8 milhões de pessoas estavam deslocadas à força em todo o mundo, anulando em poucos meses anos de avanços no desenvolvimento.
  • As temperaturas globais em 2025 atingiram 1,43 °C acima dos níveis pré-industriais, e a concentração de dióxido de carbono na atmosfera atingiu seu nível mais alto em dois milhões de anos.
  • A dívida externa dos países de baixa e média renda atingiu um recorde de US$ 8,9 trilhões em 2024.

Para mais informações, acesse: https://unstats.un.org/sdgs/report/2026

Fonte: ONU Brasil

7/01/2026

Após autoridades alemãs ignorarem impactos dos agrotóxicos, organizações de seis países rejeitam mediação com Bayer

Organizações da América Latina e Alemanha apontam que processo ignorou violações de direitos humanos ligadas ao uso de glifosato e ao modelo de soja transgênica da transnacional 

  

Brasil – Organizações sociais da América Latina e da Europa rejeitaram a proposta de mediação apresentada pelo Ponto de Contato Nacional (PCN) da Alemanha, mecanismo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), no âmbito da denúncia internacional contra a Bayer por violações de direitos humanos relacionadas ao uso de agrotóxicos à base de glifosato e ao modelo de produção de soja transgênica da empresa. As organizações se manifestaram nesta terça-feira (23).   

A denúncia perante a OCDE pode ser consultada aqui.   

A denúncia foi apresentada em abril de 2024 por uma coalizão formada pelo Centro de Estudios Legales y Sociales (CELS, Argentina), Terra de Direitos (Brasil), BASE-IS (Paraguai), Fundación TIERRA (Bolívia), Misereor e o Centro Europeu para os Direitos Constitucionais e Humanos (ECCHR). O documento reúne casos de contaminação por agrotóxicos, impactos à saúde, contaminação da água e dos alimentos, desmatamento e conflitos fundiários em bairros urbanos, comunidades rurais e tradicionais afetadas pela expansão do agronegócio baseado em sementes geneticamente modificadas e agrotóxicos comercializados pela Bayer. De acordo com a denúncia, o uso das sementes e agrotóxicos tem violado direitos humanos dos países do Cone Sul durante os últimos 30 anos.   

A denúncia foi feita ao Ponto de Contato Nacional (PCN) da Alemanha, onde está localizada a sede da Bayer, em Leverkusen, a 560 quilômetros de Berlim. O órgão é um órgão criado pelos países que aderem às Diretrizes da OCDE para empresas multinacionais com responsabilidade de tratar de casos a partir de mecanismos de reclamação não judicial, como um mecanismo de diálogo e resolução de conflitos relacionados ao comportamento de empresas multinacionais.  

A escolha da coalizão das organizações por acionar uma instância internacional ocorreu diante das dificuldades históricas de responsabilização de grandes empresas do agronegócio no sistema judicial dos países e internacional, especialmente em casos de contaminação por agrotóxicos.  

As entidades afirmam que há obstáculos estruturais para registrar e comprovar esses impactos. Unidades de saúde frequentemente não identificam intoxicações agudas ou crônicas relacionadas à exposição a agrotóxicos e faltam sistemas adequados de monitoramento e fiscalização pública. Nesse contexto, o mecanismo da OCDE foi acionado como uma tentativa de obter uma análise mais célere e compatível com a complexidade das violações denunciadas. 

Falhas na mediação e exigência excessiva de provas 
Após mais de um ano de tramitação, o PCN alemão decidiu encerrar o caso sem reconhecer as violações descritas na denúncia. Embora tenha admitido haver relação plausível entre os produtos da Bayer e os impactos apresentados na denúncia, o órgão rejeitou discutir violações aos direitos à saúde, à alimentação, à água, à terra e ao meio ambiente saudável sofridas pelas comunidades afetadas relatadas. 

Ainda assim, o PCN propôs uma mediação limitada às políticas gerais de “devida diligência” da empresa, sem abordar os danos concretos denunciados pelas organizações. Diante disso, os autores da denúncia recusaram participar do processo. 

“Decidimos rejeitar a mediação porque discutir políticas abstratas não significa nada quando as pessoas continuam adoecendo e perdendo seus territórios em razão da exposição aos agrotóxicos usados na produção de soja”, afirma Silvia Rojas Castro, consultora jurídica sênior do ECCHR. 

Para Daisy Ribeiro, assessora jurídica da Terra de Direitos, a decisão evidencia os limites dos mecanismos internacionais não vinculantes para responsabilizar grandes corporações. “As violações continuam acontecendo e as políticas de devida diligência da Bayer se mostraram insuficientes. Ainda assim, a empresa se recusa a reconhecer sua responsabilidade”, afirma a assessora em referência a descumprimento da Bayer em identificar, prevenir e reparar impactos negativos que suas atividades possam causar às pessoas e ao meio ambiente, em toda a cadeia de produção. 

As organizações também criticam a exigência apresentada pelo PCN alemão de apresentação de provas, considerada desproporcional pelas organizações. Segundo elas, as regras da OCDE preveem, na fase inicial de admissibilidade, a demonstração de plausibilidade das alegações, e não a comprovação definitiva de causalidade nos moldes de um processo judicial. 

Mesmo tendo apresentado evidências da presença de produtos da empresa nas regiões afetadas, incluindo relatos comunitários, registros fotográficos e dados laboratoriais com presença de glifosato (agrotóxico patenteado pela Bayer), o órgão exigiu comprovação direta entre produtos específicos da transnacional e cada caso de contaminação denunciado. 

Segundo a assessora jurídica da Terra de Direitos, Jaqueline Andrade o PNC, ao recusar diligências compatíveis com os riscos denunciados, deixa de aplicar a devida diligência reforçada prevista para contextos de alto risco socioambiental e de violações de direitos humanos, que envolveria uma avaliação profunda e sensível para evitar que empresas, causem ou contribuam impactos adversos reais ou potenciais ou sejam cúmplices em violações cometidas por terceiros. 

Em março de 2025, organizações do Brasil, Argentina e Alemanha também denunciaram à Organização das Nações Unidas (ONU) os obstáculos enfrentados por comunidades contaminadas por agrotóxicos no acesso à justiça. O informe enviado ao Relator especial sobre Substâncias Tóxicas, Marcos Orellana, apontou dificuldades como ausência de fiscalização, subnotificação de intoxicações, medo de denunciar, fragilidade na produção de provas e excesso de exigências probatórias impostas às vítimas, cenário que contribui para a impunidade em casos de violações de direitos humanos relacionados ao uso de agrotóxicos. 


Tentativas de diálogo fora do processo oficial 
As entidades denunciam ainda que, durante a análise do processo pelo Ponto Nacional de Contato, a Bayer buscou contato direto com comunidades afetadas e organizações denunciantes, fora dos canais oficiais do mecanismo da OCDE. 

As organizações afirmam que insistiram para que qualquer diálogo ocorresse exclusivamente dentro do processo oficial, com garantia de transparência e responsabilização. Após a rejeição da proposta de mediação, o próprio PCN sugeriu conversas informais entre as partes, o que também foi recusado pelos denunciantes. 

Pressão por leis vinculantes 

As organizações afirmam que o caso reforça a necessidade de criação de mecanismos vinculantes de responsabilização de empresas transnacionais por violações de direitos humanos e danos ambientais. 

O grupo também manifesta preocupação com o enfraquecimento de legislações europeias voltadas à responsabilização corporativa, como a Diretiva de Devida Diligência em Sustentabilidade Corporativa da União Europeia (CSDDD), e cobra que governos europeus adotem normas mais rígidas para responsabilizar empresas por impactos causados em países do Sul Global. 

Caso brasileiro 
A contaminação por agrotóxicos sofrida pelos Avá-Guarani está entre os casos brasileiros apresentados na denúncia levada à OCDE. Os povos indígenas convivem com intensa exposição ao glifosato, especialmente no Oeste do Paraná, em terras indígenas localizadas nos municípios de São Miguel do Iguaçu, Guaíra e Terra Roxa. 

Na região, o uso de agrotóxicos é elevado. Dados do Censo Agropecuário de 2022 mostram que 509 dos 661 estabelecimentos agropecuários de Guaíra e 921 dos 1.209 estabelecimentos de Terra Roxa relataram utilizar agrotóxicos. Segundo estudo da Comissão Guarani Yvyrupá, com exceção de três aldeias em áreas urbanas, todas os demais territórios Avá-Guarani estão cercados por monocultivos de soja e milho. Em alguns casos, a distância entre as lavouras e as casas dos indígenas é inferior a dois metros. 

O resultado, apontam as organizações, tem sido a contaminação de mananciais, do lençol freático, da terra e dos alimentos. Testes laboratoriais identificaram a presença de glifosato e de seu principal metabólito, o ácido aminometilfosfônico (AMPA), em fontes de água das aldeias. O glifosato é usado amplamente para controle de ervas daninhas em lavouras, como soja e milho. 

A substância é considerada “provavelmente cancerígena” em humanos pela The International Agency for Research on Cancer (Iarc), agência vinculada à Organização Mundial da Saúde. Já algumas agências reguladoras, como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, no Brasil, e a Environmental Protection Agency, nos Estados Unidos, não consideram o produto nocivo desde que aplicado da forma correta. 

Para Ilson Soares Karai, da Tekoha Yvy Okaju, os impactos ultrapassam os danos imediatos à saúde e atingem diretamente o equilíbrio ambiental e o modo de vida indígena. “A gente percebe que não tem mais florestas, acho que as florestas deram lugar para o cultivo de grandes campos de soja. Tem mudado bastante a temperatura do ambiente, a gente não tem sombra, a terra está respirando com dificuldades”, afirma. 

Segundo a liderança indígena, a pulverização próxima às aldeias também provoca adoecimento de crianças e adultos, além da morte de animais após aplicações de veneno nas lavouras vizinhas. “As crianças e os adultos acabam ficando doentes, com dor de cabeça, nariz escorrendo. Mas quando a gente procura atendimento, muitas vezes dizem que é virose ou gripe”, relata.  Diante de cenário, a liderança segue anunciando a resistência. “Mesmo com dificuldade em responsabilizar a Bayer, o território seguirá lutando contra essa contaminação”.


Fonte: Terra de Direitos

6/30/2026

Oração de São Francisco

Senhor, fazei de mim um instrumento da Vossa paz.

Onde houver ódio, que eu leve o amor.
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão.
Onde houver discórdia, que eu leve a união.
Onde houver dúvidas, que eu leve a fé.
Onde houver erro, que eu leve a verdade.
Onde houver desespero, que eu leve a esperança.
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria.
Onde houver trevas, que eu leve a luz.

Ó Mestre, fazei que eu procure mais:
consolar, que ser consolado;
compreender, que ser compreendido;
amar, que ser amado.
Pois é dando que se recebe.
É perdoando que se é perdoado.
E é morrendo que se vive para a vida eterna.

Usina de Itaipu - 2026

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Local das Sete Quedas submersas hoje - Guaíra-PR

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Fotos - Cataratas do Iguaçu

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Paraguai decreta feriado nacional após classificação histórica sobre a Alemanha na Copa do Mundo

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, decretou feriado nacional para esta terça-feira (30) em todo o país após a classificação da seleção paraguaia às oitavas de final da Copa do Mundo, conquistada com uma vitória nos pênaltis sobre a Alemanha. O decreto foi anunciado nas redes sociais e oficializado pela Presidência logo após o término da partida.

Em comunicado, o governo paraguaio classificou o resultado como um "triunfo histórico" da Seleção Paraguaia de Futebol e justificou a medida como forma de celebrar o feito esportivo em âmbito nacional.

A decisão também concretiza uma promessa feita pelo presidente antes do confronto. De acordo com informações divulgadas pelo portal ge, Peña havia sinalizado que decretaria feriado caso a equipe eliminasse a Alemanha da competição.

Após o apito final, o presidente comemorou o resultado nas redes sociais. "Paraguai nunca se rende. Feriado confirmado", escreveu.

A classificação foi definida após um duelo equilibrado disputado em Boston, nos Estados Unidos. No tempo regulamentar, as equipes empataram por 1 a 1. O Paraguai saiu na frente com gol de Julio Enciso, enquanto Kai Havertz deixou tudo igual para a Alemanha na segunda etapa.

Na prorrogação, os alemães chegaram a balançar as redes com Jonathan Tah, mas o lance foi anulado pelo árbitro de vídeo (VAR), que identificou falta na origem da jogada.

A vaga foi decidida nas cobranças de pênaltis. O goleiro Orlando Gill brilhou ao defender duas cobranças, enquanto Tah desperdiçou outra tentativa, garantindo a vitória paraguaia por 4 a 3 e a classificação da Albirroja para as oitavas de final da Copa do Mundo.



Brasília sedia fórum internacional sobre acesso à terra e agricultura familiar

Os Diálogos Inter-Regionais da FAO reunirão representantes de governos, organismos internacionais, organizações da agricultura familiar e especialistas de diferentes regiões do mundo para discutir soluções inovadoras para a governança da terra. 

A segunda edição do evento internacional será realizada de 22 a 24 de junho na capital federal, em parceria com o Governo do Brasil. 

s "Diálogos Inter-regionais para a Agricultura Familiar" vêm sendo promovidos desde 2025 como uma oportunidade para fomentar a troca de soluções e experiências inovadoras entre países de todo o mundo, com ênfase em temas prioritários para o fortalecimento do setor e a construção coletiva de alternativas.

Legenda: Os Diálogos Inter-regionais para a Agricultura Familiar vêm sendo promovidos desde 2025 como uma oportunidade para fomentar a troca de soluções e experiências inovadoras entre países de todo o mundo, com ênfase em temas prioritários para o fortalecimento do setor e a construção coletiva de alternativas. A segunda edição será realizada em Brasília - DF, de 22 a 24 de junho de 2026.

A agricultura familiar constitui a base dos sistemas agroalimentares globais, sendo responsável por mais de 80% dos alimentos produzidos no mundo em termos de valor e garantindo os meios de subsistência de mais de 2,5 bilhões de pessoas. 

Representantes de 19 países de quatro continentes se reúnem na próxima semana, em Brasília (DF), para dialogar e trocar experiências sobre políticas públicas voltadas ao fortalecimento da agricultura familiar, à governança responsável da posse da terra e à ampliação do acesso equitativo aos recursos produtivos.

De 22 a 24 de junho, acontece a segunda edição dos Diálogos Inter-regionais sobre Agricultura Familiar: Inovações para uma Melhor Governança e Acesso Equitativo à Terra, promovida pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), no marco das ações de sua Plataforma Técnica Regional de Agricultura Familiar, em parceria com o Governo do Brasil, por meio da Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE), e do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA). O evento reunirá representantes de governos, organizações de agricultores familiares, organismos internacionais, especialistas e instituições de quatro continentes:  América Latina e o Caribe, Ásia, África e Europa.

Alinhado à Década das Nações Unidas para a Agricultura Familiar (2019–2028) e às Diretrizes Voluntárias sobre a Governança Responsável da Posse da Terra, da Pesca e das Florestas (DVGT), os Diálogos Inter-Regionais visam contribuir para o avanço do desenvolvimento rural sustentável, da segurança alimentar, e da redução das desigualdades. Além desta sessão no Brasil, esta segunda edição terá outros quatros encontros - Filipinas, Hungria, Egito e Itália - para compartilhar experiências, analisar desafios comuns e identificar oportunidades.

Ao longo de três dias, os participantes analisarão evidências globais, regionais e nacionais sobre governança fundiária, conhecerão experiências de referência em políticas públicas de acesso à terra, reforma agrária e regularização fundiária, além de compartilhar soluções e boas práticas desenvolvidas em diferentes regiões do mundo.

Os debates destacarão a importância de fortalecer acesso à terra e a governança fundiária de povos indígenas, comunidades afrodescendentes e outras comunidades tradicionais, reconhecendo que a proteção desses territórios é fundamental para preservar meios de subsistência, conservar a biodiversidade e contribuir para o enfrentamento das mudanças climáticas. 

Segundo o estudo A Situação da Posse e da Governança da Terra, desde a adoção das Diretrizes Voluntárias em 2012, 71 países implementaram algum tipo de reforma agrária. Desses, 27 fizeram referência explícita às Diretrizes em seus processos de reforma. Ainda assim, apenas 35% das terras do mundo possuem documentação oficial de propriedade, posse ou direitos de uso registrados em cadastros ou registros reconhecidos. E mais de 1,1 bilhão de pessoas, quase 23% da população adulta mundial, sentem-se inseguras quanto à posse de suas terras.

Em 2025, a primeira edição dos Diálogos reuniu representantes de mais de 40 países e permitiu identificar práticas sustentáveis, inovação, transferência de tecnologia e parcerias estratégicas. 

Serviço: II Edição dos Diálogos Inter-regionais sobre Agricultura Familiar – Inovações para uma Melhor Governança e Acesso Equitativo à Terra

  • Data: 22 a 24 de junho de 2026
  • Local: Palácio do Itamaraty, em Brasília (DF)
  • Participantes: representantes de governos, organismos internacionais, organizações da agricultura familiar, instituições de pesquisa e especialistas de diferentes regiões do mundo.

Para mais informações, siga @FAOBrasilCoop e acesse a página em português dos Diálogos Inter-Regionais da FAO. 


UNODC: Relatório Mundial sobre Drogas 2026 mostra mercados em rápida transformação

O Relatório do UNODC alerta que o avanço da tecnologia e a instabilidade global estão impulsionando a criação de drogas mais potentes, enquanto o consumo já atinge 331 milhões de pessoas no mundo.

Novas substâncias, expansão do tráfico para diferentes regiões e aumento histórico do consumo marcam a rápida transformação do mercado global de drogas, segundo o UNODC.

Com drogas sintéticas mais perigosas, redes criminosas cada vez mais inovadoras e mudanças nos mercados de opióides e cocaína, a ONU aponta um cenário global de crescente risco e complexidade.

Mercados globais de drogas se transformam rapidamente à medida que a tecnologia, novas substâncias e a instabilidade criam novas oportunidades para o tráfico, aponta relatório do UNODC.
Legenda: Mercados globais de drogas se transformam rapidamente à medida que a tecnologia, novas substâncias e a instabilidade criam novas oportunidades para o tráfico, aponta relatório do UNODC.
Foto: © UNODC

Os traficantes de drogas têm explorado novas tecnologias e a instabilidade global para introduzir novas substâncias, testar rotas e métodos de tráfico distintos e expandir de forma cada vez mais agressiva para novos mercados, afirma o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) no seu Relatório Mundial sobre Drogas 2026, publicado nesta sexta-feira (26).

"Observamos  um aumento sem precedentes no surgimento de novos tipos de drogas no mercado e, de forma preocupante, algumas delas são mais potentes e perigosas do que as anteriores", afirmou a diretora executiva do UNODC, Monica Juma. "E já estamos enfrentando as consequências: milhões de mortes prematuras e anos de vida saudável perdidos; redes de tráfico de droga que afetam economias; a destruição de vidas, comunidades e meios de subsistência; e o agravamento da insegurança e da violência. A necessidade de concentrar esforços em desmantelar os grupos do crime organizado nunca foi tão urgente. Precisamos intensificar as ações de dissuasão, reforçar o compartilhamento de informações e coordenar operações conjuntas, ao mesmo tempo que investimos mais na prevenção e no tratamento".

Estima-se que 331 milhões de pessoas consumiram alguma droga em 2024, ou seja, 6,2 por cento da população mundial com idades entre os 15 e os 64 anos, em comparação com 5,2 por cento em 2014. A cannabis continua a ser de longe a droga mais consumida, com 256 milhões de utilizadores em 2024, seguida dos opióides (63 milhões), das anfetaminas (32 milhões), da cocaína (25 milhões) e do ecstasy (21 milhões).

Traficantes de drogas continuam a inovar

Os fabricantes de drogas ilícitas continuam a desenvolver novas drogas sintéticas para contornar regulamentações e evitar a deteção; em 2024, foram identificados nas apreensões cinco vezes mais tipos de drogas do que antes de 2000. O número de novas substâncias psicoativas (NSP) reportadas nos mercados de drogas atingiu, por exemplo, 755 em 2024, sendo 118 destas substâncias reportadas pela primeira vez.

Uma virada no mercado global de opióides

A proibição de drogas no Afeganistão em 2022 reduziu significativamente a produção ilícita de ópio e heroína. Embora a produção em Myanmar tenha aumentado de 420 toneladas em 2021 para mais de 1.000 em 2025, o aumento nesse país (juntamente com as quantidades produzidas em outros países monitorados pelo UNODC, nomeadamente o Laos e o México) não compensa as quebras registadas no Afeganistão, que em 2022 produziu mais de 6.000 toneladas de ópio.

A crescente disponibilidade no mercado de novos opióides sintéticos, como os fentanilos, os nitazenos e as orfinas, sugere que os traficantes estão em busca de alternativas à heroína. Uma mudança dos opiáceos de origem vegetal para substâncias sintéticas pode representar uma transformação estrutural no mercado global de opióides, com implicações para os padrões de consumo e para os danos associados a essas drogas.

O mercado da metanfetamina é agora global

Novas rotas de tráfico e a expansão gradual da produção de metanfetamina vêm criando novos mercados para esta droga, nomeadamente no Oriente Médio, na África e em partes da Europa. As apreensões aumentaram, em média, 12% ao ano, crescimento impulsionado em grande parte pelas quantidades registadas na Ásia Oriental e no Sudeste Asiático. Embora Myanmar continue sendo o principal país de origem da metanfetamina, a forte demanda também tem atraído fornecedores da América do Norte, da África Ocidental e Austral e do Sudoeste Asiático.

A metanfetamina proveniente da América do Norte também está atravessando o Oceano Pacífico em direção aos países da costa ocidental do Pacífico, contribuindo para o aumento do tráfico e do consumo nas ilhas do Pacífico. No Oriente Médio, as disrupções no mercado do "captagon" decorrente da queda do regime de Assad na Síria e da consequente duplicação do preço de um comprimido em algumas localidades podem levar consumidores dessa substância a migrar para a metanfetamina, cujo consumo tem aumentado na região.

A evolução de perceções sobre a cannabis impulsiona mudanças no número de usuários e nos padrões de tráfico

A produção, o tráfico e o consumo de cannabis estão em evolução, provavelmente em parte devido às mudanças em curso nas percepções desta droga, em um cenário em que diversas jurisdições, nomeadamente na América do Norte, adotaram políticas de legalização e/ou descriminalização.

O número de pessoas que consomem cannabis cresceu 40% na última década, enquanto a prevalência do seu consumo aumentou de 3,8% da população com idades entre os 15 e os 64 anos em 2014 para 4,8% em 2024. As apreensões de cannabis atingiram também níveis historicamente elevados em 2024.

Historicamente, a maior parte do tráfico de cannabis tem ocorrido no âmbito intrarregional, em grande medida devido ao fato de que a cannabis pode ser cultivada em praticamente qualquer lugar. No entanto, o comércio inter-regional, com oferta proveniente da América do Norte, está em crescimento: entre 2015 e 2024, 57 países ou territórios fora da América do Norte identificaram essa como região como origem nas apreensões de cannabis, em comparação com apenas 11 na década anterior.

O aumento da oferta de cocaína pode, em breve, exceder a demanda

A produção de cocaína continuou a crescer em 2024, tendo mais do que quadruplicado nos últimos dez anos atingindo uma estimativa superior a 4.000 toneladas (em forma pura), impulsionada principalmente pelo aumento da produtividade e da área cultivada.

Grupos do crime organizado seguem direcionando volumes crescentes de cocaína para mercados tradicionais e emergentes, buscando maximizar lucros e expandir sua base de consumidores para além dos mercados mais importantes e consolidados na Europa Ocidental e Central, na América do Norte e na Oceania.

Evidências dessa expansão podem ser observadas na África e na Ásia, onde, apesar das quantidades relativamente baixas de apreensões, alguns países registaram as maiores taxas de crescimento de apreensões de cocaína a nível mundial durante o período 2020-2024.

Impacto do consumo de drogas na segurança

O consumo de drogas pode estar associado a crimes de natureza aquisitiva, violência no âmbito familiar e dentro de grupos sociais, bem como à vitimização de - e por parte de - pessoas que fazem uso de drogas. Contudo, estes resultados também são influenciados por fatores mais amplos, como o contexto do consumo de drogas, e as trajetórias pessoais das pessoas envolvidas - incluindo pobreza, situação de rua e problema de saúde mental, além de fatores no nível comunitários, como possível acesso limitado ao tratamento de dependências e a serviços sociais. Estes fatores representam pontos de entrada para esforços de intervenção e prevenção.

Leia o Relatório Mundial sobre Drogas 2026 na íntegra.

Fonte: ONU Brasil