7/08/2026

Relatório ODS 2026: Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável geram resultados concretos

Desde 2015, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) vêm gerando resultados concretos e mensuráveis em todo o mundo — agora, o mundo precisa urgentemente ampliar o que funciona, aponta o Relatório da ONU sobre os ODS 2026. 

Lançado nesta terça-feira (07/07) em Nova Iorque, o Relatório dos ODS afirma que, com menos de cinco anos até o prazo de 2030, é necessário um esforço final decisivo para manter a promessa dos ODS ao nosso alcance. 

Apesar dos avanços, persistem grandes desafios. Das 139 metas dos ODS com dados de tendências, apenas 36% estão no caminho certo ou apresentam progresso moderado para serem cumpridas até o prazo de 2030. Quase metade — 49% — avança muito lentamente. 15% das metas regrediram para níveis inferiores aos de 2015.

Projeção dos ícones dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) na sede das Nações Unidas em 22 de setembro de 2015, em antecipação à Cúpula das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, realizada de 25 a 27 de setembro. A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e os ODS foram adotados pelos 193 Estados-membros em 25 de setembro de 2015.
Legenda: Projeção dos ícones dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) na sede das Nações Unidas em 22 de setembro de 2015, em antecipação à Cúpula das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, realizada de 25 a 27 de setembro. A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e os ODS foram adotados pelos 193 Estados-membros em 25 de setembro de 2015.
Foto: © ONU/Cia Pak.

Desde sua adoção em 2015, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) têm gerado resultados em grande escala — proporcionando acesso à água, à eletricidade e aos serviços de saúde a bilhões de pessoas. 

No entanto, o progresso continua desigual e insuficiente. Sem um impulso decisivo para ampliar rapidamente as iniciativas que funcionam, a promessa dos ODS corre o risco de ficar fora de alcance, de acordo com o Relatório dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável de 2026, divulgado em 7 de julho em Nova Iorque. 


Adotados pelos 193 Estados-membros da ONU em 2015, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) são um compromisso histórico para superar os maiores desafios da humanidade até o ano de 2030. Tudo começou na Rio+20, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, realizada no Rio de Janeiro em 2012. A Rio+20 lançou os debates internacionais entre os Estados-membros e as consultas públicas globais que culminaram, três anos depois, na adoção unânime da Agenda 2030 para o Desenvolvimento

Legenda: Adotados pelos 193 Estados-membros da ONU em 2015, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) são um compromisso histórico para superar os maiores desafios da humanidade até o ano de 2030. Tudo começou na Rio+20, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, realizada no Rio de Janeiro em 2012. A Rio+20 lançou os debates internacionais entre os Estados-membros e as consultas públicas globais que culminaram, três anos depois, na adoção unânime da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e dos ODS.
Foto: © ONU.

O que uma década de evidências nos mostra: os ODS geram resultados

Desde 2015, investimentos sustentados, políticas sólidas e cooperação internacional melhoraram a vida de bilhões de pessoas em todo o mundo, com ganhos mensuráveis em todos os ODS:

  • Quase um bilhão de pessoas obtiveram acesso à água potável gerenciada com segurança e 1,2 bilhão, ao saneamento gerenciado com segurança. 

  • As novas infecções por HIV caíram 30% entre 2015 e 2024, e as mortes relacionadas à AIDS, 35%.

  • A eletricidade agora atinge 92% da população mundial. 

  • O acesso à internet disparou, passando de 40% para 74%. 

  • A proteção social abrange mais da metade da população global pela primeira vez na história. 

Por trás desses resultados está uma conquista importante e muitas vezes negligenciada: a revolução dos dados. Há uma década, havia dados disponíveis apenas para metade de todos os indicadores dos ODS. Hoje, um banco de dados global com mais de 3,2 milhões de pontos de dados abrange quase todos os indicadores — permitindo que os países identifiquem onde o progresso está se acelerando, onde persistem lacunas e quais políticas estão gerando resultados.

“Guiados pelos dados deste relatório, nossa visão da Agenda 2030 continua ao nosso alcance. Juntos, vamos dar um impulso final decisivo para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e construir um futuro saudável e próspero para todos”, afirmou o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.

O secretário-geral António Guterres (centro) fala durante a coletiva de imprensa sobre o Relatório dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 2024. À esquerda a vice-secretaria-geral, Amina Mohammed, e à direita Li Junhua, subsecretário-geral para os Assuntos Econômicos e Sociais do Nações Unidas. Foto: © UN Photo/Eskinder Debebe
Legenda: O secretário-geral António Guterres (centro) fala durante coletiva de imprensa sobre o Relatório dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 2024, na sede das Nações Unidas em Nova Iorque, em 28 de junho de 2024. À esquerda, a vice-secretária-geral Amina Mohammed, e, à direita, o subsecretário-geral para os Assuntos Econômicos e Sociais, Li Junhua.
Foto: © ONU/Eskinder Debebe.

Por que o mundo está ficando para trás: crises que se sobrepõem e um déficit de financiamento cada vez maior

Apesar dos avanços, persistem grandes desafios: 

  • Das 139 metas dos ODS com dados de tendências, apenas 36% estão no caminho certo ou apresentam progresso moderado. 

  • Quase metade — 49% — avança muito lentamente.

  • 15% das metas regrediram para níveis inferiores aos de 2015.

Uma em cada dez pessoas ainda vive em pobreza extrema. Cerca de 2,3 bilhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar moderada ou grave. Mais de 150 milhões de crianças continuam com atraso no crescimento. A mortalidade materna é quase três vezes maior do que a meta global. Nenhuma das metas de igualdade de gênero está no caminho certo. O número de pessoas afetadas por desastres relacionados ao clima mais que dobrou desde 2015.  

A escalada de conflitos, a mudança climática, a desaceleração do crescimento econômico, o aumento da dívida e uma queda recorde na assistência oficial ao desenvolvimento estão agravando o déficit e afetando de forma desproporcional as pessoas mais vulneráveis do mundo.

O que precisa acontecer agora: ampliar o que funciona

O Relatório destaca que os ODS continuam sendo o plano comum do mundo para a paz, a prosperidade e a sustentabilidade. Os dados acumulados ao longo de mais de uma década de implementação mostram que é possível alcançar avanços significativos — mas somente quando o compromisso político, o financiamento, a inovação e a cooperação internacional estiverem alinhados.

“Mais de uma década de implementação mostrou o que é possível”, afirmou o subsecretário-geral das Nações Unidas para Assuntos Econômicos e Sociais, Li Junhua.

“A tarefa agora é ampliar o que funciona — com a urgência, o investimento e a cooperação necessários para cumprir a promessa da Agenda 2030.”

É essencial eliminar o déficit anual de financiamento dos ODS, de aproximadamente US$ 4 trilhões — por meio do Compromisso de Sevilha e da reforma da arquitetura financeira internacional. Isso deve ser acompanhado por sistemas de dados mais robustos, por meio do Quadro de Medellín, para direcionar os investimentos primeiro aos mais vulneráveis. Acelerar a transição energética, aproveitar tecnologias de ponta — incluindo a inteligência artificial — para o desenvolvimento sustentável, promover a igualdade de gênero como prioridade transversal e reforçar a cooperação multilateral também serão fundamentais para o sucesso.

As escolhas feitas nos próximos quatro anos — em matéria de financiamento, cooperação e resposta coletiva a crises — terão efeitos duradouros para as gerações futuras, de acordo com o Relatório das Nações Unidas.  

O secretário-geral António Guterres (no pódio e nas telas) discursa na abertura da Cúpula dos ODS, em 18 de setembro de 2023. “Os ODS não são apenas uma lista de metas. Eles carregam as esperanças, os sonhos, os direitos e as expectativas das pessoas em todo o mundo. E representam o caminho mais seguro para cumprirmos nossas obrigações previstas na Declaração Universal dos Direitos Humanos”, afirmou o secretário-geral.
Legenda: O secretário-geral António Guterres (no pódio e nas telas) discursa na abertura da Cúpula dos ODS, em 18 de setembro de 2023. “Os ODS não são apenas uma lista de metas. Eles carregam as esperanças, os sonhos, os direitos e as expectativas das pessoas em todo o mundo. E representam o caminho mais seguro para cumprirmos nossas obrigações previstas na Declaração Universal dos Direitos Humanos”, afirmou o secretário-geral.
Foto: © ONU/Cia Pak.

Outros fatos e números importantes

Progresso:

  • A maioria das regiões estará próxima de erradicar a pobreza extrema até 2030, com exceção da África Subsaariana, do Oriente Médio e do Norte da África, e da Oceania (excluindo a Austrália e a Nova Zelândia).
  • Entre 2012 e 2024, a prevalência de atraso no crescimento entre crianças menores de cinco anos diminuiu, resultando em 30,2 milhões a menos de crianças com atraso no crescimento em todo o mundo.
  • A proporção de partos assistidos por profissionais de saúde qualificados aumentou de 80% para 87% entre 2015 e 2025 e está a caminho de atingir a meta de 90% até 2030.
  • Entre 2019 e 2025, foram promulgadas 99 reformas legislativas para eliminar leis discriminatórias e estabelecer estruturas de igualdade de gênero; as mulheres ocupam agora 27,4% das cadeiras parlamentares, contra 22,3% em 2015.
  • trabalho infantil diminuiu em mais de 20 milhões entre 2020 e 2024.
  • O desemprego global atingiu um nível quase historicamente baixo de 4,9% em 2025.
  • A capacidade de geração de eletricidade a partir de fontes renováveis per capita cresceu a uma taxa recorde de 14% entre 2023 e 2024 e agora é 2,2 vezes maior do que o nível de 2015.

Desafios:

  • Estima-se que a taxa global de pobreza extrema atinja 10% até 2026 — apenas 3 pontos percentuais abaixo do nível de 2015, muito abaixo da meta de erradicar a pobreza extrema até 2030.
  • 273 milhões de crianças e jovens continuam fora da escola; um em cada cinco jovens com idades entre 15 e 24 anos não está empregado, nem estuda, nem participa de treinamento, e os jovens têm quase quatro vezes mais chances de estar desempregados do que os adultos.
  • Estima-se que 1,16 bilhão de pessoas — aproximadamente um em cada quatro residentes urbanos — vivam em conjuntos habitacionais precários ou assentamentos informais.
  • A ajuda oficial ao desenvolvimento sofreu uma queda recorde de 23,1% em 2025 — o maior declínio anual já registrado —, voltando a níveis próximos aos de 2015.
  • população global de refugiados atingiu 440 por 100.000 pessoas em meados de 2025, mais do que o dobro do nível registrado uma década antes.
  • O risco de extinção está se agravando em todos os grupos de espécies; a proteção de áreas-chave de biodiversidade atingiu, em média, apenas 45% em 2025.
  • Os conflitos violentos atingiram seu nível mais alto em décadas. Em dezembro de 2025, mais de 117,8 milhões de pessoas estavam deslocadas à força em todo o mundo, anulando em poucos meses anos de avanços no desenvolvimento.
  • As temperaturas globais em 2025 atingiram 1,43 °C acima dos níveis pré-industriais, e a concentração de dióxido de carbono na atmosfera atingiu seu nível mais alto em dois milhões de anos.
  • A dívida externa dos países de baixa e média renda atingiu um recorde de US$ 8,9 trilhões em 2024.

Para mais informações, acesse: https://unstats.un.org/sdgs/report/2026

Fonte: ONU Brasil

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